Curitiba - O Secretário Nacional de Segurança Pública, Ricardo Brisolla Balestreri, afirmou ontem, em Curitiba, que o treinamento policial está longe do ideal, assim como o armamento usado pela polícia nas ruas. ''Qualquer abordagem que termina em morte de inocentes é tecnicamente incorreta'', afirmou. Uma das possíveis saídas apontadas é a utilização de armas não-letais, dando a possibilidade de que o policial escolha qual arma usar durante uma abordagem, conforme a necessidade.
O secretário defendeu ainda a criação de uma espécie de universidade de formadores em segurança pública. ''A segurança pública no Brasil ainda é tratada de forma primária. Não existe uma formação específica. Como uma pessoa que tem o poder sobre a vida e a morte é formado sem um curso específico?''. Ele participou da 7º®MDUL¯ ®MDNM¯ Conferência Executiva de Segurança Pública para América do Sul da Associação dos Chefes de Polícia.
Segundo o secretário, mesmo o País estando apresentando situações de colapso, a racionalidade deve ser maior que ''as tomadas de decisões baseadas no senso comum''. ''O Brasil tem índices superiores aos de guerra, mas não estamos em guerra. O que falta é superar essa lógica'', afirmou. Balestreri disse ainda que a população tem de se conscientizar de que o policial não é um justiceiro e por isso evitar pressões que exijam que os responsáveis pela proteção ajam com a emoção. ''A ação da polícia não pode se basear na lógica da truculência'', comentou.
Para mudar a lógica, ele afirmou que é necessária a criação de modelos que aproximem o policial da população. ''Temos que devolver o policial para o povo. Ele foi roubado pelo Estado durante a ditadura militar''. Além disso, acredita que há a necessidade de técnicas mais organizadas no confronto policial. A organização evitaria tragédias como a da jovem Rafaeli Ramos, de 21 anos, morta no mês passado em Porto Amazonas (51 km ao Sul de Ponta Grossa), depois de uma abordagem mal-sucedida da Polícia Militar (PM).
Crime organizado
O secretário defendeu também um maior combate ao crime organizado, que detém uma boa parte dos negócios na economia mundial. Segundo ele, o crime organizado não é aquele que está na favela e comanda o tráfico em grandes cidades. ''Organizações como o PCC e Comando Vermelho são organizações delinquentes de ponta, mas não são crime organizado'', diferencia. O crime organizado, afirma, está na elite, em grandes transações e mansões de luxo.
Para Balestreri, é necessário que exista uma diferenciação da polícia ao tratar os dois tipos de criminosos. Enquanto as organizações deliquentes de ponta são as que mais incomodam o cidadão comum, com crimes, tráfico e assaltos, o crime organizado detém o poder. ''É preciso ter a consciência de que existem e devem ser combatidas'', disse.

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