O Paraná perdeu R$ 147 milhões com a pirataria de software no ano passado. A informação é da Associação Brasileira das Empresas de Software (Abes), citando um estudo do International Data Corporation (IDC). Segundo o IDC, se a pirataria do setor fosse reduzida em dez pontos percentuais, passando de 60 para 50%, somente no Estado seriam criados mais de 740 empregos diretos e indiretos, o faturamento na indústria de Tecnologia da Informação seria superior a R$ 370 milhões e seriam arrecadados mais R$ 50 milhões em impostos.
Já a pirataria em CDs e DVDs já corresponde a 48% do mercado fonográfico brasileiro, e 59% dos DVDs de filmes. Com isso, segundo a Associação Antipirataria Cinema e Música (APCM), mais de 3,5 mil postos de venda legalizados já foram fechados. Só em Londrina, 58 videolocadoras fecharam suas portas em 2007.
Para preparar agentes públicos técnica e juridicamente para combater a pirataria, foi realizado na tarde de ontem, em Londrina, o Programa de Treinamento de Capacitação em Antipirataria. Cerca de 80 pessoas, a maioria policiais, participaram do curso, promovido pela Abes, APCM, Business Software Alliance (BSA) e Entertainment Software Association (ESA), que tem apoio do Conselho Nacional de Combate à Pirataria, do Ministério da Justiça.
''Nosso objetivo é conscientizar esses agentes, dando subsídios técnicos para que eles possam não só identificar os produtos, mas também contribuir para educar a população. E o terceiro ponto é instruí-los sobre a aplicabilidade da lei, munindo-os de instrumento jurídico para atuar'', explicou Emílio Munaro, coordenador do programa. Além de um certificado ao final do curso, os participantes também ganham um mini catálogo de bolso com as instruções técnicas básicas.
No ano passado, segundo a APCM, foram apreendidos mais de 36 milhões de CDs e DVDs (gravados e virgens) no Brasil, em cerca de 3 mil operações de combate à pirataria. A região Sul é a que mais apreendeu mídias: 22 milhões, ou 61% do total nacional.
Segundo o diretor executivo da APCM, Antônio Borges Filho, o número de apreensões vem crescendo, mas ainda está longe do ideal. ''Todo o trabalho de combate à pirataria só será eficaz se houver uma união de forças entre o poder público, as empresas e a sociedade. Se não, não há combate que dê jeito'', afirmou, lembrando que enquanto existir comprador, haverá produtos piratas. ''A falta de acesso às mídias originais devido ao custo não é desculpa. Quantos não têm acesso a carro? e nem por isso as pessoas saem se apropriando do carro dos outros por aí'', comparou. Borges Filho também citou um estudo que mostrava que grande parte dos compradores de produtos piratas têm condições de comprar o original.
Segundo dados da Polícia Internacional (Interpol), a pirataria movimenta US$ 600 bilhões por ano, US$ 240 bilhões a mais que o tráfico de drogas. O prejuízo para o Brasil por causa de todos os produtos piratas chega a R$ 30 bilhões anuais.

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