Desde o início do ano, a Polícia do Paraná já registrou pelo menos 65 ocorrências com explosivos. Boa parte desse número é representada por ataques a caixas eletrônicos, que desde o ano passado têm sido frequentes em todo o Estado.
A última ocorrência foi registrada ontem de madrugada em Londrina. Um dos caixas eletrônicos de uma agência bancária localizada na avenida Tiradentes (Zona Oeste) foi alvo de ladrões. Dessa vez, eles não usaram explosivos, mas um maçarico a gás para tentar violar o cofre do equipamento. Os ladrões desistiram da ação e fugiram sem levar o dinheiro.
''Para atuar nessas situações, os policiais devem estar devidamente treinados para não causar danos maiores a si próprio ou a terceiros. Através dessas aulas, eles aprendem a identificar o artefato e a forma correta de isolar o local até a chegada do COE (Comando de Operações Especiais), que faz uso de helicóptero'', afirma o tenente Hugo César Woll, da 4 Companhia Independente da Polícia Militar (PM).
Durante toda a manhã de ontem, ele esteve no comando do treinamento aplicado a 90 PMs, sobre intervenção em ocorrências envolvendo artefatos explosivos. As aulas teórica e prática foram ministradas por policiais do COE de Curitiba, que atuam no Esquadrão de Bombas.
Ao todo, foram três horas e meia de teoria, baseada nos tipos de explosivos, formas de armamento, periculosidade e ocorrências mais frequentes. Já na prática, eles presenciaram a explosão de cinco cargas, realizada em um espaço ainda em construção do Jardim Botânico de Londrina, na Zona Sul. ''Com esse treinamento, eles passam a compreender que mesmo uma pequena quantidade de explosivo, pode gerar um grande dano'', comenta o tenente Lauro Sperka, do COE.
Participam do treino policiais da Patrulha Escolar, do Choque, Rotam, Rodoviária e Ambiental. ''Esse aprendizado é fundamental para sabermos atuar em uma situação envolvendo explosivos. Além da percepção em acionar o COE, aprendemos a não subestimar um objeto suspeito'', diz o cabo Gilberto Pizzi, da Patrulha Escolar.
Explosão de caixas
Além dos artefatos militares, os policiais em treinamento também conheceram os tipos de bombas utilizados por bandidos em ataques contra caixas eletrônicos. ''Quando o bando não utiliza maçaricos, eles costumam fazer uso de explosivos de pedreiras'', comenta o tenente Woll.
No ano passado, as explosões em caixas eletrônicos se tornaram frequentes na Região Metropolitana de Curitiba. Em pouco tempo, as ocorrências começaram a se espalhar por todo o Estado. Segundo dados do Sindicato dos Vigilantes de Curitiba e Região (Sindvigilantes-PR), somente no primeiro semestre de 2012, a quantidade de ocorrências envolvendo o uso de explosivos e maçaricos em caixas eletrônicos e os assaltos, incluindo clientes que acabam de sair das agências, cresceu 112,5% no Estado. As ocorrências de explosões já somam 59.
No mês de julho, duas explosões a caixas eletrônicos causaram grandes danos. No dia 11, os bandidos utilizaram uma grande quantidade de dinamite em uma agência de Cambé (Norte). A explosão foi tamanha que os vidros da fachada foram estilhaçados. O bando conseguiu fugir, mas não levou nada.
Uma semana antes, bandidos explodiram um caixa eletrônico dentro da empresa Transportes Coletivos Grande Londrina (TCGL). Uma pessoa foi feita refém para que eles tivessem acesso ao terminal eletrônico. A quantia levada pelos ladrões não foi divulgada.
''Existe a possibilidade de algum material explosivo utilizado nesse tipo de ocorrência não ser detonado. Neste caso, é importante que os policiais que estiverem no local saibam atuar corretamente. Até porque a preservação dos artefatos podem gerar provas do crime e ajudar na investigação'', ressalta o tenente Sperka.

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