César AugustoTratamento personalizadoMarly Coronado: ‘Essas pessoas são fundamentais para o programa’‘‘Eles são considerados mais que membros da equipe, são os anjos da guarda dos nossos pacientes’’, disse a coordenadora do PID, Marly Coronado, referindo-se aos cuidadores. Ela explicou que um dos critérios para atendimento do PID é justamente a existência da figura do cuidador. ‘‘São pessoas da família ou até mesmo vizinhos que se responsabilizam pelos cuidados com o paciente.’’
Segundo ela, os cuidadores são peça fundamental no internamento domiciliar. ‘‘Eles são treinados e capacitados para atender o doente, que passa a ter tratamento personalizado’’. Os cuidadores aprendem técnicas de enfermagem e manobras fisioterápicas. ‘‘Como são pacientes acamados a prática de exercícios de fisioterapia tem que ser diária’’.
Para fazer parte do programa é necessário atender a alguns critérios. Além da existência do cuidador, é preciso o encaminhamento feito pelo hospital e o diagnóstico deve estar confirmado. ‘‘Não trabalhamos com hipóteses. E o atendimento tem que ser completo. Por exemplo, casos que necessitem só de fisioterapia nós não atendemos’’. Outro critério exigido é a boa condição do domicílio, que deve ter água, luz e estar sempre higienizado.
A partir do momento em que o paciente é aceito no PID, inicia-se o processo de capacitação do cuidador e o atendimento domiciliar. Dependendo de cada caso, as visitas podem ser diárias ou semanais. Para isso, o programa conta com quatro equipes. Cada uma é composta por um médico, uma enfermeira, duas auxiliares e um fisioterapeuta. Existe também uma equipe de apoio, com psicólogas e assistentes sociais.
Segundo Marly, essas profissionais atuam como apoio da família que tem o doente em casa. ‘‘Muitas vezes as famílias entram em conflito por causa da situação estressante. Elas buscam apoiar também nesses momentos.’’
Na busca de uma integração maior entre cuidadores e equipe, estão sendo realizados os Encontros Regionais de Cuidadores. Esses encontros buscam a troca de experiência entre eles. ‘‘Durante o evento, eles se conhecem e ficam sabendo que existem outras pessoas na mesma situação. Eles também sentem-se valorizados’’, disse. O 1º Encontro aconteceu na Zona Sul de Londrina e teve participação de 30 cuidadores.
O PID foi criado em setembro do ano passado com o nome de Programa Médico de Família/Internação Domiciliar. A mudança do nome, feita pela atual administração, na realidade não alterou as atividades do programa, que foi criado com a intenção de tirar os pacientes crônicos dos hospitais, liberando leitos e humanizando o tratamento. Além disso, com o internamento domiciliar os doentes não correm risco de contrair infecções hospitalares. Entre um nome e outro, o programa atendeu até março desse ano 306 internados. Atualmente, 120 pessoas estão sendo atendidas pelo programa.
(Josiane Schulz)

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