Curitiba - O curso de formação do Comando de Operações Especiais (Coe), da Polícia Militar (PM) do Paraná chegou ontem ao 64º dia. Dos 40 policiais que começaram, 14 ainda estão no curso. Todos os outros foram desligados das aulas, tamanho o rigor técnico-tático, físico e psicológico usado durante o treinamento destes policiais de elite.
Ontem um grupo de alunos que pretende ingressar no grupo especial participou de uma simulação, em que invadiu um ônibus que poderia estar sob domínio de assaltantes. Entre os alunos estão dois policiais do Mato Grosso do Sul (MS), que optaram em fazer o curso no Paraná para levar as técnicas ao estado vizinho. ''Nós já servimos em unidades operacionais no MS. Mas o Paraná ofereceu este curso que não tem lá. É um dos melhores grupos do País'', informou o tenente da PM-MS Wilmar Fernandes, 32 anos.
Entre escadas, armamento e coletes, o grupo entrou no ônibus após o barulho de um tiro que teria acertado um dos assaltantes que estaria dentro do veículo durante a simulação. Seria, então, o sinal verde para uma explosão do lado de fora do ônibus, um artifício utilizado pelos policiais para distrair todas as pessoas dentro veículo. Entre o tiro, simulado com um grito de ''vai'', e a explosão, foram dez segundos para os policiais dominarem os suspostos criminosos sob gritos e movimentos bruscos, envolvendo calma e cautela durante a invasão para que nenhuma vida fosse colocada em risco. ''Eles são alunos. Os policiais que estão na ativa dentro do Coe fazem em menos tempo'', explicou o comandante da Companhia de Choque da PM, major Elias Chehade.
Segundo o coordenador do treinamento, tenente Anderson Puglia, o preparo psicológico, físico e técnico faz parte de um processo em que sem a consciência de coletividade, nenhum deles fará parte do Coe. O Comando é solicitado sempre em ocasiões de cumprimento de mandados de prisão, crimes com reféns e desativação de bombas.
Longe da família, dos amigos e da rotina comum, o aluno que quer ingressar no Coe tem que estar pelo menos dois anos combatendo o crime nas ruas e deve ter tido sempre bom comportamento. ''Eles ficam direto no quartel. O preparo e a frieza deste homem tem que ser acima da média'', contou.
Em uma situação real com refém, os policiais do Coe, de acordo com o tenente, podem ficar alguns dias para agir. ''Por isso, a pressão feita durante o curso é um trabalho de concentração'', explicou o policial. Os alunos têm ainda pela frente pelo menos mais trinta dias, mas pode ser que nenhum deles conclua o curso.
Trata-se de um grupo tão especial que parte destes policiais foram encarregados de proteger o príncipe do Japão, Naruhito, presente nas comemorações dos 100 anos da imigração japonesa no Brasil, em Londrina. Os atiradores, chamados de Snipers, do Coe, protegeram o príncipe com fuzis de precisão calibre 762, em todo trajeto por onde ele passou pela cidade.

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