Na manhã desta quinta-feira (1), profissionais de escolas de futebol se reuniram em frente à Prefeitura de Londrina pedindo respostas aos protocolos enviados com sugestões de medidas para o retorno gradual e seguro das atividades. Em decorrência da pandemia do novo coronavírus, os técnicos estão há seis meses impedidos de realizarem o trabalho. A mobilização foi organizada pela ATEFUT (Associação dos Treinadores das Escolas de Futebol de Londrina), que representa a categoria na cidade.

Imagem ilustrativa da imagem Treinadores de escolas de futebol de Londrina pedem retorno das atividades
| Foto: Lais Taine - Grupo Folha

Claudemir Nicolim, treinador de futebol e observador técnico da Polivalente, conta que a associação, assim com a Fundação de Esportes e a Liga de Futebol, enviou protocolo sugerindo medidas de segurança pra o retorno dos treinos com crianças e adolescentes, mas que não tiveram resposta.

“A gente quer que eles lembrem da gente, porque precisamos trabalhar como todo segmento. Os professores das escolas de futebol não têm salário, nós não temos pagamento, a gente precisa dar o treino para haver contribuição. O que nós queremos é que eles lembrem de avaliar esses protocolos enviados”, menciona Nicolim.

No protocolo, a indicação é que as aulas retornem gradualmente com atendimento individual para as crianças menores ou em pequenos grupos para jovens e adolescentes. “A gente não quer fazer jogo, evento, campeonato, nem competições, a gente quer dar treino para os meninos de forma individualizada”, menciona Eduardo Rodrigues, coordenador da escola Arena Ferst. “Em um campo de futebol tem seis mil metros quadrados, a gente conseguiria colocar até 20 garotos em um distanciamento de 10 metros, mas isso, nós sabemos, seria inviável até para a prática, mas a gente pode colocar quatro garotos no campo de futebol, sem contato”, acrescenta.

Os treinadores aguardam resposta da prefeitura sobre a proposta indicada e pedem que sejam abertos os espaços públicos durante a semana para que professores possam dar as aulas nesses locais. Procurada pela FOLHA, a Prefeitura de Londrina respondeu que “os médicos e epidemiologistas da Secretaria Municipal de Saúde estão avaliando os protocolos e o retorno deve acontecer de forma gradativa e segura nas próximas semanas.”

Para os treinadores, o assunto deve ser visto com atenção e certa urgência. “Tivemos vários relatos que temos meninos com apresentação de alta de colesterol, obesidade, depressão, porque esses meninos jogavam bola diariamente e hoje eles não podem nem sair de casa”, menciona Rodrigues.

O treinador aponta que os profissionais estão há seis meses sem renda e estão buscando outras formas de sobrevivência, como venda de pizzas, feijoada e marmitas. Para eles, a regularização do retorno das atividades vai beneficiar toda a população, considerando que alguns retornaram de forma clandestina.

“Se a academia pode, se a escola de tênis pode, a escola de beach tênis pode, por que o futebol, seguindo os protocolos de segurança, não pode? Será que é medo de que a gente não se adapte, que não siga o protocolo? Quem quer fazer do jeito certo está sendo prejudicado e quem faz errado está trabalhando, ganhando dinheiro e levando nossos alunos”, desabafa Rodrigues.

Nicolim acrescenta que os profissionais das escolas são capacitados, formados em educação física ou ligados ao Cref (Conselho Regional de Educação Física) e que eles estarão acompanhando cada aluno de forma responsável, porque são educadores. Ele defende que o treino em grupos menores, sem jogo e sem contato com outros jogadores, pode ser uma solução neste momento, mas reafirma a necessidade de abertura das praças públicas durante a semana para a realização das atividades. “A gente quer que eles avaliem essa proposta, queremos trabalhar seguindo as ordens do decreto, só isso.”

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