''Este pedaço aqui não é fácil.'' A frase do caminhoneiro Gilmar Alano, 30 anos, sintetiza a situação precária do trecho de 53 quilômetros da PR-092, entre as cidades de Jaguariaíva e Wenceslau Braz (Norte Pioneiro).
Ele é mais uma vítima da péssima conservação desse pedaço de estrada que todos os dias ''deixa na mão'' dezenas de motoristas. Os veículos, grandes ou pequenos, não resistem à buraqueira. No entanto, os que mais sofrem são os caminhoneiros. No caso de Alano, o prejuízo foi de R$ 5 mil. Uma peça do câmbio não resistiu à trepidação.
''O conserto vai ser demorado. Já dormi uma noite aqui e pelo jeito vou ter que pousar mais uma vez na estrada. Precisamos de melhorias urgentes. Passo nessa rodovia uma vez por semana e tenho que andar a 40 km/h para não quebrar as telhas que carrego'', lamentou o caminhoneiro.
Construída há mais de 50 anos, a PR-092 tem 400 km de extensão e liga Curitiba a Porto Leopoldina, no extremo Norte do Paraná. Porém, é no trecho entre Jaguariaíva e Santo Antônio da Platina, onde recebe o nome de Rodovia Parigot de Souza, que a estrada recebe um fluxo intenso, principalmente de caminhões, pois é a ligação mais curta da região de Curitiba, Ponta Grossa, Sul do Paraná e todo o Estado de Santa Catarina e Rio Grande do Sul com a BR-153, a qual leva a cidades importantes do interior paulista e Minas Gerais. Essa PR também dá acesso à BR-369, em Andirá.
Em um país que priorizou o transporte rodoviário, a PR-092 é o exemplo claro do quanto a falta de conservação das estradas resulta em prejuízo. Em meio a um asfalto esburacado e sem nenhuma sinalização horizontal, pontes mal conservadas e acostamentos sem condições de uso, mal dá para acreditar que o trecho entre Jaguariaíva e Wenceslau Braz faz parte da mesma PR-092 bem conservada e sinalizada que encontramos nos 109 quilômetros seguintes, até Andirá, os quais foram reformados recentemente.
Porém, enquanto as atenções governamentais não se voltam para os 53 km críticos, os motoristas continuam pagando o prejuízo. ''Parece que esqueceram da gente. Os nossos governantes devem deixar de se preocupar só com o Renan Calheiros e pensar em quem trabalha para sustentar o país'', criticou o caminhoneiro Crispim Padilha, que teve que interromper sua viagem para recolocar um parafuso do disco da embreagem que escapou quando o caminhão passou em um buraco.
''O número de acidentes diminuiu por aqui, pois os motoristas têm que andar muito devagar. Porém, percebemos que o número de quebras de veículos aumenta conforme a estrada piora. Pára-brisa não dura devido às pedras. O da nossa viatura, por exemplo, está quebrado'', comentou o cabo Marcelo Koproski, do posto de Polícia Rodoviária Estadual de Arapoti, que conta com apenas três policiais para cuidar de 310 km de estradas, entre eles o trecho problemático da PR-092.
''Além disso, devido à falta de sinalização, à noite, com chuva e neblina, fica impossível para o motorista saber aonde está andando. Outro problema se relaciona aos rodados dos caminhões, que não resistem aos solavancos e se soltam. Já tivemos diversos acidentes por causa disso'', completa o policial.
Alguns quilômetros à frente do posto rodoviário, o caminhoneiro Luiz Burkot, que voltava de Uberlândia (MG), sofria com o problema: a roda de seu caminhão se soltou.
''Por sorte eu estava devagar quando o parafuso do eixo quebrou, se não algo mais grave teria acontecido. Quantos inocentes não morrem por causa desses buracos'', questionou Burkot, que ainda disse estar indignado por ter que pagar R$ 900,00 por ano de IPVA e não perceber melhorias nas estradas não pedagiadas.''
De acordo com o borracheiro e mecânico José Roberto de Lima, não faltam pneus estourados e carros com diversos tipos de problemas para consertar devido às más condições da pista. Ainda assim, um asfalto novinho lhe seria mais rentável. ''Seria melhor se consertassem a estrada, porque o movimento aumentaria bastante. Há cinco anos, quando me instalei aqui, tinha o dobro de movimento nessa rodoviaa. Hoje, o pessoal desvia para escapar dos buracos.''

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