O trânsito ficou lento ontem na praça de pedágio da BR-277, no trecho entre Curitiba-Paranaguá, nos horários de maior movimento. O pedágio no local começou a ser cobrado à zero hora de ontem e a falta de prática acabou motivando o congestionamento. Muitos caminhoneiros que transportavam produtos agrícolas não possuíam o chamado cupom-safra, que os libera da taxa, e precisavam apresentar a nota fiscal dos produtos e aguardar análise do documento para poder prosseguir. Quem não realizasse esse procedimento tinha de arcar com a despesa do pedágio, R$ 4,10 por eixo.
O uso da nota fiscal só vai ser aceito pela Ecovia até o próximo dia 4 de julho. A partir daí só será liberado da taxa o motorista que tiver o cumpom, que está sendo distribuído pela Faep e pela Ocepar. ‘‘Instalamos fotocopiadoras nas cabines para agilizar os trabalhos, porque não deu tempo da distribuição dos cupons atingir a nossa região’’, disse o diretor-presidente da Concessionária Ecovia, Adhemar Rodrigues Alves, que administra o trecho.
Mauro FrassonDesabafoO agricultor Ari Nelson Groth mostra os recibos das três taxas que pagou apenas ontem, somando R$ 12,30Alguns motoristas aproveitaram para protestar contra o início da cobrança. O agricultor Ari Nelson Groth mora em um chácara há cerca de 10 quilômetros adiante do pedágio, e se mostrou revoltado por ter de pagar a taxa cada vez que se desloca para Curitiba. ‘‘Trabalho com uma propriedade rural e sempre vou pelo menos duas vezes para Curitiba buscar remédios para os animais, ou alguma peça para as máquinas. Somente hoje já paguei o pedágio três vezes, somando R$ 12,30. Já imaginou pagar isso todo o dia?’’, desabafou.
Segundo a artesã Erinélia de Carvalho, 48 anos, esses moradores pretendem reivindicar o passe livre, porque a cobrança do pedágio vai refletir no orçamento doméstico. ‘‘Moramos três quilômetros depois do pedágio (sentido Curitiba-Paranaguá) e tenho de levar meu filho para estudar no Colégio Bom Jesus em Curitiba, e outro que faz faculdade. Calculo gastar cerca de R$ 1 mil ao mês, o que é um absurdo’’. Erinélia conta que se nada for resolvido o grupo pretende entrar com uma ação na Justiça para garantir os seus direitos. ‘‘Já pagamos impostos e temos o direito de transitar por aqui’’, reclamou.
O diretor-presidente da Ecovia, Adhemar Rodrigues Alves, informou que na tarde de ontem haveria uma reunião com os moradores para tentar estabelecer o primeiro contato. ‘‘Vamos ouvi-los, mas entendemos que a tarifa não deve ser alterada, pois ela é fixada com base nos serviços oferecidos e nos investimentos a serem feitos’’. Segundo o diretor-presidente, ‘‘se os usuários resolverem que os serviços de ambulância, guincho e mecânicos não devem ser oferecidos, aí poderíamos modificar os valores’’, disse.
Outro problema registrado no primeiro dia de cobrança foi em relação aos usuários que retornaram ao ponto de partida porque não estavam com dinheiro para pagar a tarifa. A empresa não autorizou a passagem de nenhum veículo sem pagar a taxa.
A diretoria da Ecovia informou que com o início da cobrança do pedágio as obras de munutenção e conservação continuam nos 140 quilômetros da concessão, ao mesmo tempo em que deve ser iniciada a construção do viaduto da Avenida Rui Barbosa e de quatro passarelas nos trechos de maior movimento entre a BR-116 e as instalações da fábrica da Coca-cola, num total de R$ 5 milhões em investimentos.Mauro FrassonMudançaO primeiro dia da cobrança de pedágio pegou muita gente desprevenida na BR-277O primeiro dia da cobrança da taxa provocou congestionamentos, por ca usa do escoamento da safra
Alguns usuários tiveram
de voltar para casa
porque não tinham dinheiro
para pagar a tarifa

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