Agora, os travestis de Londrina têm uma nova oportunidade de profissionalização. A instituição 'Ade-Fidan Casa de Vivência Saara Santana', com quase dois anos de fundação, e que hoje atende mais de 80 travestis de várias regiões do País, oferece cursos profissionalizantes.
Além das oficinas de cidadania, que trazem informações sobre direitos e deveres constitucionais da categoria, também dão esclarecimentos sobre as formas de prevenção de Doenças Sexualmente Transmissíveis (DST) e Aids, já oferecidas pela instituição, através de cursos profissionalizantes os travestis terão mais uma opção de renda.
Para desenvolver o projeto, que inclui a promoção dos cursos de cabeleireiro e maquiagem, artesanato e cozinha-piloto, a Ade-Fidan investiu R$ 12 mil e ainda recebeu recursos do Ministério da Saúde (R$ 35 mil) e da Secretaria Municipal de Saúde (R$ 12 mil). Com a verba, foram comprados os equipamentos necessários para realização dos cursos e também outros materiais para estrutura da casa, que fica localizada na Avenida 10 de Dezembro, na Vila Casoni (Zona Leste), onde são realizadas as atividades.
Como as aulas iniciararam há um mês, apenas 20 pessoas participam dos cursos. Segundo o coordenador da instituição e também idealizador do projeto, Edison Bezerra, a entidade de Londrina é a única no Sul do Brasil que realiza esse trabalho de profissionalização com travestis. Apesar de ser recente, os resultados do projeto estão sendo bastante positivos, na avaliação de Bezerra. ''Tenho fé de que, a partir dessa iniciativa, a prostituição venha se tornar coisa do passado para os travestis'', declara.
O dinheiro obtido com venda dos produtos produzidos pelos travestis, e na prestação de serviços no salão escola, pelos aprendizes, é todo revertido para a Casa de Convivência.
Celi Carvalho, 24 anos, veio do Acre para Londrina, há cerca de um ano e meio. Desde então, ele decidiu fazer parte da instituição. Para o travesti, que nunca pensou em fazer um curso profissionalizante, e agora participa do salão escola de cabeleireiro e maquiagem, a oportunidade está sendo valiosa. ''Com esta experiência, pretendo mais trade abrir o meu próprio estabelecimento'', comenta.
Para o travesti Vírginia Vick, 36 anos, que veio de Marília (SP) e que também integra a Ade-Fidan, o projeto é uma escola. Segundo ele, além de aprender hoje, no futuro poderá também ensinar outros colegas. Virgínia participa da cozinha piloto. Com outros travistis, ele faz conservas, compotas de doces e 'coffee breaks' por encomenda. ''Me sinto feliz. As atividades do projeto melhoram a nossa auto-estima'', afirma.

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