O Grupo Esperança está oferecendo aulas de corte e costura aos travestis de Curitiba como opção para sair da prostituição. Financiado pelo Minstério da Saúde, as aulas do ‘‘Fazendo Arte’’, que integram o projeto ‘‘Através do Espelho’’, tentam dar noções de cidadania pela máquina de costura. ‘‘Os travestis se prostituem porque não tem espaço dentro da sociedade. Se surgir alguma nova oportunidade de vida, muitas delas iam preferir deixar a rua’’, afirma Sheila Maria, integrante do Grupo Esperança.
As aulas, que iniciaram há três meses, terminam daqui dez meses. ‘‘Nesse período, vamos formar costureiras que possam produzir suas roupas ou confeccionar para venda’’, explica a transexual Edna, que é a coordenadora do grupo de costura. Ela afirma que há ainda a possibilidade de se criar uma loja que venda as roupas produzidas pelos estudantes do Fazendo Arte. Por enquanto, está opção não está fechada.
‘‘Não são apenas as técnicas que as alunas aprendem aqui’’, diz. ‘‘Os encontros servem também como terapia ocupacional para quem tem uma vida dura na rua’’, afirma Edna. Lisa Minelli, presidente do Esperança, informa que durante as aulas e as reuniões de discussões em grupo, os travestis contam seus problemas com a violência urbana.
‘‘No último mês, morreram três travestis assassinados, vítimas de clientes e até de policiais’’, afirma Sheila Maria. Uma das maiores queixas dos travestis é a extorsão realizada por alguns policiais, durante a noite. ‘‘Eles nos comunicam, mas existe medo de denunciar’’, acrescenta Lisa Minelli.
Sheila Maria entende que por causa dessas agressões, além da possibilidade de contaminação nos programas de ruas, a alternativa de corte e costura tem sido bem aceita. Atualmente, existem oito alunas. ‘‘Falta infra-estrutura para que o projeto atenda um número maior’’, diz Sheila, acrescentando que o Grupo Esperança está aberto a parceira. ‘‘Doações de tecidos seriam bem-vindas’’, diz.
O projeto ‘‘Através do Espelho’’ realiza toda primeira quarta-feira do mês um um encontro para orientar sobre prevenção de doenças sexualmente transmissíveis. Nas sextas-feiras, um grupo também sai a campo passando pelos lugares de programa distribuindo camisinhas e folhetos de informações.

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