Travestis disputam título de Miss Londrina em desfile
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quinta-feira, 16 de setembro de 2004
Adriana Savicki<br> Reportagem Local 
O local é um pouco acanhado. Faltam holofotes e o tapete vermelho. Mas nem por isso o nervosismo e o glamour das partipantes é menor. Inspirados por ícones do cinema e da música, como Britney Spears, Madonna e a eterna Marilyn Monroe, as concorrentes dão os últimos ajustes nas fantasias para participar do Miss Travesti Londrina, que acontece nesse sábado.
O concurso já está na terceira edição e é promovido pela ONG Ade-Fidan, Casa de Vivência Saara Santana. Mais que o prêmio, um aparelho celular, o evento é uma forma de integrar o travesti na sociedade e resgatar sua auto-estima.
Para as concorrentes, o desfile é, mais do que tudo, uma chance de brilhar ou, nas palavras de Nicole Gati, 24 anos, ''ter um minuto de fama, de celebridade''. Nicole, que vai desfilar de Anjo Negro, já pode ser considerada quase que uma veterana do concurso. Essa é a segunda vez que participa. ''Foi uma batalha, mas fiz o possível para tudo ficar lindo'', diz.
Em clima de competição explícita, nem todo mundo conta com antecedência a fantasia. ''Não posso falar não, é segredo, mas posso garantir que vai ficar lindo'', diz Sandra Scarpeli Santana, 26 anos, uma das calouros desse concurso.
A preparação do concurso, aliás, toma tempo e investimento das candidatas. São três trajes: casual, fantasia e gala, e os ensaios. Além do desfile tradicional, com direito à descida ''triunfal'' pela escada, elas apresentam uma performance que é decisiva para a contagem de pontos.
Maria Clara, 21 anos, diz que não titubeou nem um segundo na escolha das musas inspiradoras. ''Na hora que fui convidada para participar a fantasia veio na minha cabeça assim num estalo'', conta. Maria Clara pretende convencer os jurados com uma mistura de ninfetas juvenis, Cristina Aguilera e Britney Spears, ao som de outro ícone incontestável: Madonna.
Para chegar à tal performance é necessário muito treino. Segundo Clara, os ensaios são praticamente diários. ''A situação financeira minha e da minha mãe, que me ajuda, está meio difícil mas devagar a gente chega lá'', torce.
O presidente da Ade-Fidan, Edson Bezerra, comenta que esse clima de festa e de glamour é exatamente o objetivo do evento. ''A gente traz o travesti para a sociedade de uma forma alegre e divertida'', afirma. Essa inserção social é fundamental para um grupo que, ao contrário do que se pensa, não é pequeno. São cerca de 140 travestis cadastrados.
Para quem quiser acompanhar o show, o concurso acontece neste sábado a partir das 22 horas na avenida Leste Oeste 690. A entrada é um quilo de alimento não perecível que será revertido para entidades assistenciais. A Ade-Fidan, que organiza o evento, é financiada pelo Ministério da Saúde em parceria com a Unesco e Prefeitura Municipal de Londrina. A ong desenvolve trabalhos de prevenção a DST/HIV e apóia a profissionalização e resgate da cidadania de gays, travestis e garotos de programa.


