Travestis de Maringá denunciam uma onda de violência cometida por dois grupos de jovens que não toleram as minorias. Os travestis pediram para não ser identificados porque temem represálias dos agressores. Eles contam que a violência aumentou nos últimos quatro meses, culminando com a morte de Ivan Matos Anaes, 21 anos, conhecido como ''Babalu''.
A morte de Babalu, na semana passada, aumentou o medo dos travestis. Babalu foi atacado por um grupo de quatro jovens. Eles espancaram o travesti que, desacordado, no asfalto, acabou sendo atropelado e morto por um veículo. Dos mais de 10 travestis que procuraram a Folha, quatro haviam sido vítimas recentes de violência. Um deles teve o rosto desfigurado por causa do excesso de chutes e murros.
A vítima de espancamento contou que foi pega de surpresa quando trabalhava na Avenida Colombo, trecho urbano da BR-376, na saída de Maringá para Sarandi. ''Senti uma pancada na cabeça e depois acordei no hospital sem conseguir abrir os olhos. As enfermeiras até me orientaram para dar queixa, mas não saberia dizer nada para a polícia, além do fato de ter sido violentamente espancada'', diz.
Os relatos das demais são semelhantes e revelam o ódio a que estão sujeitos nas ruas. Eles contam que são pegos de surpresa, sempre por um grupo de carro ou por uma turma que anda de bicicleta. ''Eles são muito violentos. Outro dia consegui escapar de um paralelepípedo que jogaram em direção a minha cabeça'', conta um dos travestis.
Segundo eles, os jovens geralmente estão armados com taco de beisebol ou com uma machadinha de prata. ''Eles batem para matar e de preferência batem só na cabeça'', diz um travesti. As vítimas lembram que instrumentos, como a machadinha de prata, são utilizados por grupos que se denominam de ''carecas''. Eles pregam o ódio contra os homossexuais e estrangeiros. ''O nosso apelo é para que a polícia tente identificar os grupos e nos ajude a evitar a violência'', afirmam os travestis.
O delegado-adjunto da 9 Subdivisão Policial de Maringá, Nilson Rodrigues da Silva, disse ontem que desde a morte de Babalu, uma equipe está investigando o caso. ''Até agora não conseguimos identificar ninguém do grupo, mas sabemos que de fato eles existem e estamos encaminhando as investigações'', afirmou o delegado.

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