Travesti protesta: quer usar banheiro feminino
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quinta-feira, 20 de setembro de 2001
Célia Guerra <br> De Londrina 
Um travesti deve usar o banheiro feminino ou masculino? A polêmica está sendo levantada em Londrina pelo cabeleireiro Robson Rogério Santana, que se veste como mulher, e usa o nome artístico de Mônica Matarazzo. Ele denuncia que foi discriminado por seguranças do Shopping Royal Plaza, após deixar o banheiro feminino do estabelecimento.
Os seguranças que o aguardavam na porta do sanitário informaram que, como não havia no shopping um espaço próprio para travestis, ele não poderia utilizar aquele banheiro. Mônica quis, então, saber se deveria utilizar o banheiro masculino, mas os seguranças não souberam responder. A ordem, como teriam informado ao cabeleireiro, partiu da chefia de segurança do centro de compras. Mônica foi procurar respostas, onde teria sido maltratada novamente.
A cena foi assistida por uma amiga, também travesti, e um amigo italiano que estava em visita ao País. Surpresa com o tratamento, Mônica registrou queixa na 10 Subdivisão Policial. ''Há oito anos divido minha residência entre Londrina e a Europa. É a primeira vez que passo por uma situação tão constrangedora'', disse.
Ontem, Mônica foi ouvida pelo promotor de Defesa dos Direitos e Garantias Constitucionais, Paulo Tavares.
O promotor admitiu que nunca se deparou com um problema parecido. Ele explicou que a legislação não prevê esse tipo de situação. Mas acredita que o caso se enquadre no artigo 3º, inciso 4º da Constituição Federal, que prevê ''o bem de todos sem preconceito de origem, raça, sexo, cor e qualquer outra forma de discriminação''. Tavares, antes de tomar qualquer medida, pretende ouvir a versão do Royal Plaza.
Segundo o promotor, a situação - por mais inusitada que pareça - chama a atenção para que as empresas se preparem e dêem a seus funcionários o devido preparo para lidar com o problema, sem constrangimentos. ''O cidadão, independente da sua opção sexual, deve ser respeitado, pois as diferenças existem e é preciso saber conviver com elas'', concluiu.
O direção de outros dois shoppings de Londrina, consultadoa pela Folha, consideram complicado o fato. O gerente do Shopping Quintino, Flávio Leandro Juliani, disse que a opção deve ser da pessoa em escolher um ou outro banheiro. ''Se ela se veste como mulher acredito que não promoverá nenhum constrangimento usando o banheiro feminino'', opinou.
Já a gerente de marketing do Catuaí Shopping, Maria Aparecida de Oliveira, que também nunca passou pela mesma situação, disse que a pessoa seria orientada a utilizar o banheiro masculino, pois independente da forma de se vestir, a identidade de homem é que deve ser levada em consideração.
A Folha procurou a direção do Royal Plaza, mais de uma vez, e não obteve resposta sobre a situação.


