Travesti denuncia agressão e preconceito
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quinta-feira, 29 de março de 2007
Maigue Gueths<br>Equipe da Folha 
Curitiba - O travesti Andrielly Vogue, 31 anos, de Curitiba, teria sido agredido à pedradas por um grupo de cinco rapazes, no último sábado, perto da casa onde mora. Ele ainda espera um desfecho para uma outra agressão, que sofreu em novembro de 2005, quando foi chicoteado por três homens.
Andrielly, cujo nome verdadeiro é José Adriano Elias, ficou com hematomas no joelho, quadril e cintura. Ele conta que estava caminhando quando cinco rapazes começaram a atacá-lo. ''Eles estavam bem trajados, não eram marginais. Primeiro, me jogaram duas garrafas de cerveja, depois começaram a atirar pedras'', diz.
Ele conseguiu ligar para a polícia mas não escapou de levar mais pedradas. Com medo de mais agressões, fingiu desmaiar. ''Eu fiquei uns sete minutos ali. O que mais doeu foi ver o preconceito. A lanchonete da esquina estava lotada, mas ninguém saiu para ver se eu estava morto ou vivo'', conta Andrielly, que é negro e tem quase dois metros de altura.
Ele foi ao 8º Distrito Policial, onde registrou um boletim de ocorrência, e ao Instituto Médico Legal (IML), onde fez exame de corpo de delito. Segundo informações da delegacia, o processo deveria ser encaminhado para o 10º Distrito, que fica no bairro Pinheirinho, mas até ontem à tarde o B.O. ainda não tinha saído do 8º. O Grupo Esperança, que defende os direitos GLBT, também foi notificado sobre o caso.
Para Andrielly, esses rompantes de violência contra homossexuais é fruto de preconceito. ''Não quero que desta vez, como muitas outras, o caso seja fechado sem ser apurado quem foram os agressores. Só peço justiça. Isto aconteceu comigo porque sou travesti, pobre e negra, faço parte de uma população estigmatizada, tida como minoria. Será que é isso que o povo brasileiro quer continuar vendo?''


