Travessia de risco
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terça-feira, 23 de outubro de 2012
Vítor Ogawa <br> Reportagem Local 
Em busca de postos de saúde, creches, escolas e comércio em geral muitos moradores de Londrina são obrigados a atravessar diariamente rodovias localizadas em trechos urbanos. E, mesmo que as vias possuam alguns equipamentos de trânsito, como semáforo, faixa de pedestre e passarela, não há garantias de que consigam alcançar o outro lado da via em segurança.
A reportagem da FOLHA circulou por alguns trechos rodoviários urbanos e ouviu muitas queixas da comunidade. No Patrimônio Heimtal (Zona Norte), a reclamação é sobre a falta de sinalização na Avenida Ludwig Ernest (continuação da Rodovia Carlos João Strass - PR-545 - e que dá acesso à PR-323). A dona de casa Ernestina Valério Cantagali, de 82 anos, relatou que não tem mais coragem de atravessar a avenida devido ao fluxo intenso de veículos. ''Eu, na minha idade, demoraria para atravessar a rodovia, por isso nem saio de casa'', afirmou.
Segundo os moradores, motoristas que trafegam pela Ludwig Ernest abusam da velocidade, desrespeitam a faixa de pedestre e realizam ultrapassagens em locais proibidos. Tamanha irresponsabilidade reflete no cotidiano dos estudantes da Escola Municipal José de Anchieta. Muitos pais são praticamente ''obrigados'' a conduzirem seus filhos de mãos dadas para evitar que sejam atropelados.
''Os pais acabam supervisionando a travessia pessoalmente porque têm ciência dos perigos que envolvem uma criança desacompanhada na rodovia'', explicou a diretora da escola, Elaine da Silva Fedato. Ela afirmou que um semáforo auxiliaria o pedestre na travessia.
Ajuda médica
Para muitos moradores do Conjunto Jamile Dequech (Zona Sul), a necessidade de cruzar a Rodovia Celso Garcia Cid (PR-445) acontece quando o médico da Unidade Básica de Saúde (UBS) do bairro não aparece. A dona de casa Beatriz Barbosa, que tem um filho de dez meses, conta que na ausência do médico, atravessa a rodovia para ir à UBS do Jardim União da Vitória. ''Os caminhões correm demais nesse trecho e muitos motoristas não respeitam a faixa de pedestre'', criticou.
Na região da Jamile, existe um viaduto recém-construído, que facilitaria a travessia de pedestres. Porém, a reportagem verificou que os moradores ignoram a obra.
Em outro ponto da Celso Garcia Cid, no Jardim Sabará 3 (Zona Oeste), a dona de casa Ana Lúcia Rodrigues Leme contou que sua filha chegou a matricular seu neto de quatro anos em um centro de educação infantil do outro lado da rodovia, no Sabará 1. Porém, seis meses depois foi buscar outra opção. ''Para um pedestre é difícil atravessar a rodovia, principalmente no horário de saída da creche, que coincide com o horário de pico dos veículos'', observou.
A dona de casa Renir Stein é outra moradora do bairro que enfrenta problemas para atravessar a PR-445 com o seu filho de três anos. Ela disse que fica 10 minutos esperando à beira da rodovia uma brecha para que possa atravessar a via em segurança. A recente instalação de um semáforo contribuiu para que a situação melhorasse, ressaltou, no entanto apontou que muitos motoristas não respeitam a sinalização.
Nesse trecho, assim como em outros locais visitados pela FOLHA, há casos de pedestres que desobedecem as leis de trânsito e atravessam a via em locais proibidos, contribuindo para a irritação dos motoristas e aumentando o risco de acidentes.
Enfeite
No Jardim Bandeirantes (Zona Oeste), Reginaldo César Sanchez, morador da região há 35 anos, afirmou que a travessia da BR-369 ficou complicada depois que tiraram o semáforo que existia na rodovia. O equipamento, segundo ele, possuía um botão que, acionado, fechava o sinaleiro para os motoristas, facilitando a travessia de pedestres. Ele explicou que apesar de existir uma UBS no bairro, a única unidade que funciona 24 horas na Zona Oeste fica no Jardim Leonor, que está do outro lado da rodovia.
O atendente Edvaldo Souza, que trabalha com o pai em um estabelecimento comercial do bairro, relatou que atravessa a rodovia para buscar atendimento na UBS do Leonor e também para visitar os amigos. ''Tem uma sinalização de pare no cruzamento com a Rua Serra dos Pirineus, mas fica só de enfeite, pois ninguém respeita nada por lá'', criticou.
As dificuldades de travessia da BR-369 também atingem os moradores do Parque Waldemar Hauer (Zona Leste), que é a via de ligação da cidade com o Estado de São Paulo. A dona de casa Conceição Lopes ressaltou que viu dezenas de acidentes no trecho e reivindicou a instalação urgente de um viaduto na via. ''Aqui só prometem que vão fazer essa obra, mas ninguém nunca fez nada para construí-la.''


