Fôlego e muita sorte são condições necessárias aos pedestres que tentam atravesar a Rua Gomes Carneiro, entre o Moringão e o Zerão, na Área Central de Londrina. Das 17 às 19 horas, o intenso fluxo de carros obriga as pessoas a cruzar a via com rapidez, sem qualquer garantia de segurança.
''Entrego nas mãos de Deus e corro o risco'', afirmou a dona de casa Fátima Rezende de Mello, que duas vezes por semana atravessa a rua para levar o neto, que usa cadeira de rodas, à fisioterapia. ''Os carros não param mesmo para cadeirantes'', reclamou. Na semana passada, ela recorda que esperou quase meia hora para conseguir atravessar.
''Só atravessei porque um senhor me ajudou, sinalizando para os carros'', disse. Fátima denunciou que os motoristas também não respeitam a faixa de segurança, o que obriga os pedestres a fazer ''manobras'' entre os veículos. Outra dificuldade apontada pela dona de casa é a falta de calçadas. ''Não tem como andar com a cadeira de rodas'', relatou.
O engenheiro agrônomo aposentado Antônio Alceu Bonanigo é outra vítima do trânsito da região. Três vezes por semana, ele enfrenta a travessia para caminhar no Zerão. ''Já vi um carro frear em cima de uma senhora'', conta ele, que defende a instalação de um sinaleiro para organizar o fluxo.
Segundo o presidente da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU), Álvaro Grotti Junior, o caminho é a única alternativa para motoristas que descem a Rua Pernambuco em direção à Avenida Higienópolis. É, também, o elo que liga o fluxo da Zona Sul à Avenida Bandeirantes. Esses dois fatores, conforme o presidente, explicam o movimento.
Como a rua margeia o fundo de vale do Zerão, não há possibilidade de ofertar caminhos alternativos. ''O que vamos fazer é reforçar a sinalização'', afirmou, lembrando que a via já é duplicada. A colocação de redutores de velocidade também é inviável. ''Aumentaria o congestionamento'', justificou.
A gerente de trânsito do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Londrina (Ippul), Cristiane Biazzono Dutra, concordou que a travessia da Gomes Carneiro é problemática. ''O fluxo é intenso para uma via com capacidade chegando à saturação. E o Zerão é limitante'', ressaltou.
Ela informou que, há um ano e meio, toda a sinalização local foi reforçada. ''Não há proposta de modificações'', comentou. Para a gerente, o problema resulta principalmente do alto índice de motorização (quantidade de veículos por habitante) de Londrina. A cidade tem um veículo para cada 2,6 habitantes. No Paraná, o índice é de um carro para 3,4 habitantes e, no Brasil, um veículo para cada cinco habitantes. Segundo Grotti, a frota de veículos do município cresce 7% ao ano.

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