Curitiba - Desde o último dia 20 de maio, os motoristas que utilizam os estacionamentos da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC-PR) estão sujeitos a uma nova sanção. Quem estacionar em local irregular, como vagas para deficientes, rotatórias, canteiros ou trancando a saída de outros carros poderá ter seu veículo travado por um equipamento que bloqueia a ação de uma das rodas.
Para retirar essa trava, o aluno precisa se dirigir até o prédio da administração da instituição. Não há multa em dinheiro, mas dependendo da infração, o estudante pode ficar proibido de utilizar o estacionamento central por determinado período. Em caso de reincidência esse prazo aumenta.
A medida gera polêmica e divide opiniões dentro e fora da universidade. Para Edenir Zandoná Neto, aluno do primeiro ano de Direito, a medida veio em boa hora, já que, segundo ele, era comum encontrar motoristas desrespeitando as regras de trânsito dentro do campus. Ele conta que já chegou atrasado a um compromisso por conta de um colega que estacionou atrás do seu carro, impedindo sua saída. Ele reconhece que muitas vezes faltam vagas próximo ao bloco onde estuda, mas isso não justificaria a infração, na opinião dele. Para garantir um lugar próximo, o estudante costuma chegar dez minutos antes do início das aulas.
Outro que já foi prejudicado pela falta de respeito dos colegas é o para-atleta Fabiano Machado da Silva, que treina natação e é aluno de um curso de pós-graduação. Ele diz que já perdeu a conta das vezes que precisou estacionar longe do seu destino, pois a vaga reservada para portadores de necessidades especiais estava ocupada indevidamente. "Eles (os alunos) chegam e simplesmente estacionam, não querem nem saber", lamenta. Segundo ele, outros 20 para-atletas que treinam no local sofrem com o mesmo problema. Apesar de entender a punição como severa, ele acha a medida adequada. "Tem pessoas que só aprendem assim", pondera.
Mesmo se tratando de um problema sério, de acordo com o professor de Direito Civil da Universidade Federal do Paraná (UFPR) Rodrigo Xavier Leonardo, a solução encontrada pela PUC-PR é equivocada. Segundo ele, a instituição pode atuar no seu espaço, mas nunca junto aos veículos dos estudantes. "Uma coisa é estabelecer regras, a outra é atuar diretamente no patrimônio do aluno", observa. Caso um dos carros travados fosse danificado, segundo ele, a universidade poderia ser responsabilizada.
Opinião semelhante tem o presidente do Diretório Central dos Estudantes (DCE) da PUC-PR, Gustavo Pagnoncelli. Para ele a medida é radical. Dois meses antes das travas serem implementadas a universidade realizou uma campanha junto aos alunos, distribuindo cartilhas e divulgando as novas regras nos veículos de comunicação internos e externos. Para
Pagnoncelli, a campanha não foi suficiente para atingir todos os estudantes. O problema central por trás desta polêmica, segundo ele, seria falta de vagas de uma forma geral.
De acordo com dados da instituição, existem hoje 3,5 mil vagas para cerca 10 mil motoristas que circulam diariamente dentro da PUC-PR. O período de maior fluxo é o da noite, seguido pela manhã e pela tarde. Até o fim do ano serão criadas mais 500 vagas. Uma das soluções estudadas pela universidade é a criação de um estacionamento vertical.
Essa medida também é defendida pelo presidente do DCE para quem o ideal seria conscientizar os alunos sobre o uso dos carros, estimulando o uso de transportes alternativos e a carona, mas ele reconhece que a médio prazo a saída mais adequada é a criação de mais vagas. Uma pesquisa interna da universidade aponta que 52% dos alunos utilizam carro para chegar à instituição, outros 41% usam ônibus e o restante veículos alternativos, como motos, bicicletas e outros.

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