Tratores destroem os últimos barracos
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terça-feira, 14 de abril de 1998
Benê Bianchi 
Dorico da SilvaSem saídaLucinéia e Renê de Oliveira tiveram a casa demolida por tratores da Cohab: Não podemos pagar aluguel A destruição dos últimos barracos erguidos no fundo de vale do conjunto Ilda Mandarino (zona norte de Londrina), ontem pela manhã, causou revolta na família de Lucinéia de Oliveira. Ela passou a manhã toda e parte da tarde entre o Fórum e a Delegacia, na tentativa de evitar que a casa de alvenaria que estava construindo na área invadida há cerca de três meses fosse para o chão. Não adiantou. Por volta das 15 horas, quando retornou com a polícia para o fundo de vale, a casa já havia sido demolida pelos tratores que trabalharam na área durante todo o dia.
A Companhia de Habitação (Cohab) cumpre ordem de reintegração de posse e desde o dia 30 de março tenta convencer as famílias a deixar a área. Inicialmente havia 58 barracos no local. Ontem, eram apenas três. A Cohab havia garantido que apenas os vazios seriam demolidos, mas, segundo Lucinéia, ela, o marido Renê de Oliveira, a filha de 3 anos, três sobrinhos e uma irmã ocupavam a casa.
O marido diz que precisou negociar com os funcionários da Cohab para retirar os objetos do barraco. Caso contrário, eu iria perder tudo. Na demolição perdi uns dois mil tijolos, sem contar a cal, a areia e o cimento. Se colocar tudo na ponta do lápis, perdi uns R$ 1 mil. O sobrinho de Renê, Rodrigo Aparecido de Souza, também perdeu o material usado na casa que construía ao lado, onde pretendia morar com a mãe e dois irmãos. Pertences da família foram levados para uma casa próxima ao fundo de vale, no parque Ouro Verde, onde todos moravam antes da invasão.
Renê conta que o aluguel da casa, de um quarto, sala e cozinha, é de R$ 150,00. Não podemos pagar o aluguel e também a casa não vale o preço que a dona está pedindo.
Além da destruição, a família reclama da atitude de funcionários da Cohab. Segundo Lucinéia, dois estiveram no seu barraco, no final da tarde de segunda-feira, no momento em que não havia ninguém. Os funcionários teriam destruído a porta e desarrumaram a casa. Depois que eles estiveram lá, sumiu um botijão novinho que eu tinha acabado de pagar no sábado.
A Folha tentou ouvir diretores da Cohab ontem, mas eles não retornaram as ligações.


