Instrumentos indispensáveis ao trabalho no campo, tratores e colheitadeiras também devem seguir o que estabelece a legislação de trânsito brasileira. O problema é que nem sempre as regras são obedecidas e o resultado é um só: acidentes e até mortes. Em números, do início do ano até ontem a 2 Companhia de Polícia Rodoviária Estadual registrou sete ocorrências com uma vítima fatal nas rodovias do Norte do Paraná. Para atacar o problema, começou a distribuir uma cartilha que traz orientações, informações e alertas aos agricultores sobre segurança no trânsito. Para quem não sabe, até carroças e charretes precisam seguir o Código de Trânsito Brasileiro (CTB)
Elaborado em parceria com a Federação da Agricultura do Estado do Paraná (FAEP), o livreto visa prevenir tragédias que podem acontecer por causa do desconhecimento ou da imprudência dos condutores de tratores e máquinas agrícolas. Na região, a cartilha começou a ser distribuída na tarde de ontem na PR-323, em Sertanópolis. A Polícia continuará fazendo a divulgação nas próximas semanas e também dando palestras em sindicatos e cooperativas. Depois disso, o veículo flagrado em situação irregular será apreendido.
O tenente Pedro Ramos, da 2 Companhia da Polícia Rodoviária, apontou que situações envolvendo condutores de tratores trafegando sem habilitação são corriqueiras. ''O motorista tem que ser habilitado, no mínimo, na categoria C'', explicou. Ele também alertou que os tratores podem circular com carretas para fazerem o transporte de implementos agrícolas como arados, grades, entre outros. No Paraná, a frota registrada de tratores passa de mil unidades.
Outra infração séria bastante comum é o trânsito de colheitadeiras nas rodovias, o que é terminantemente proibido. O Código de Trânsito define que colheitadeira não pode trafegar por causa de suas dimensões, quase sempre maiores do que as das vias. A largura mais comum, por exemplo, é de cerca de oito metros enquanto a pista costuma ter, em média, entre seis e oito metros.
Este tipo de máquina só deve trafegar em rodovias embarcada em carretas. Na blitz de ontem, o motorista Jean Rasaboni disse que poucos proprietários de máquinas costumam contratar o serviço, que tem custo fixo de R$ 2,00 por quilômetro rodado. ''Faço um ou dois fretes a cada dois dias mais ou menos'', afirmou.
Principalmente entre os meses de janeiro e junho, época de colheita da safra de grãos, é comum flagrar infrações envolvendo colheitadeiras. No Distrito da Warta (Zona Sul de Londrina), a FOLHA flagrou uma máquina na rodovia acompanhada por um ''batedor'' particular. O tenente Ramos esclareceu que apenas a Polícia Rodoviária pode abrir esta exceção - apenas para pequenas distância - e fazer a função de ''batedor''.
Além dessas orientações, a cartilha traz ainda informações sobre o tráfego de charretes e carroças. Estes ''modelos'' podem trafegar somente pelo acostamento ou pela direita, em fila única e nunca no período noturno. Quem for pego em situação irregular pode ser multado. O problema é que isso é definido por lei municipal e poucas cidades contam com essa legislação.

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