Dimitri do Valle
De Curitiba
A Promotoria de Investigações Criminais (PIC) já tem indícios de que o trator usado para enterrar restos de motores de veículos supostamente furtados seja de propriedade da empreiteira Brascal. A empresa é do prefeito de Rio Branco do Sul, João Dirceu Nazari, que também seria o dono do terreno onde o ‘‘cemitério’’ clandestino foi descoberto na sexta-feira.
Peritos do Instituto de Criminalística (IC) compararam falhas apresentadas num dos pneus do trator da empresa com marcas deixadas no terreno. ‘‘Ele deixou sua impressão digital’’, disse o promotor Paulo Kessler, da PIC. O manobrista do trator confirmou à promotoria que trabalhou cerca de 15 dias para preparar o local onde os motores foram encontrados. Os motores teriam sido enterrados às pressas quando os depoimentos prestados à CPI do Narcotráfico, no início de março em Curitiba, revelaram a existência dos desmanches de propriedade de Juarez Costa França, o Caboclinho, que está preso.
‘‘Sabemos qual era o perfil original do terreno, a quantidade de terra que foi removida e quanto tempo foi levado para preparar a área’’, disse Kessler. O promotor garantiu ser impossível que o terreno tenha sido preparado apenas ‘‘na calada da noite’’. ‘‘Alguém quer nos fazer pensar isso, mas o próprio tratorista estava trabalhando há mais de duas semanas para criar uma montanha em cima do terreno’’.
A tarefa mais urgente da promotoria é encontrar um local para armazenar o que restou dos cerca de 170 motores de automóveis e caminhonetes desenterrados da área. Até o final da tarde de ontem, nenhum lugar adequado tinha sido localizado em Rio Branco do Sul ou em Curitiba.
Até a tarde de ontem, apenas 61 motores tinham sido enfileirados no terreno para que os peritos possam iniciar o trabalho de identificação. Dezenas de motores ainda permanecem com muito barro, o que pode estender ainda mais a contagem final.
O serviço de inteligência da Polícia Militar suspeita que a área pode servir de esconderijo para até 500 motores de veículos furtados pela quadrilha de Caboclinho. Ele e o prefeito de Rio Branco do Sul negam as denúncias e se dizem vítimas de uma armação política.
‘‘As ligações entre o Juarez e o João da Brascal serão devidamente comprovadas’’, anunciou Kessler. O prefeito será convocado para depor nas investigações. A data ainda não está definida.

mockup