Tratar alergia exige mudança de rotina
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quinta-feira, 07 de maio de 2009
Carolina Gabardo Belo<br> Equipe da Folha 
A primeira manifestação de alergia no pequeno Jefferson Matheus Braga, 8 anos, aconteceu quando ele tinha apenas um ano e meio de idade. De repente, ele apresentou uma laringite, que veio acompanhada de diversos problemas.
"Ele tinha o nariz trancado o tempo todo, de dia, de noite. Também tinha crise de asma", lembra a mãe, a professora Fátima Aparecida Santos, 30. Tempos depois, uma reforma em casa resultou em outra crise de alergia e a descoberta do principal sintoma de seu problema.
"Sempre afeta o olho. Quando o Jefferson entra em contato com o que seu organismo não aceita, ele fica com conjuntivite", conta Fátima.
Após quatro anos de tratamento, ele conseguiu estabilizar a alergia. Para isso, tem na ponta da língua uma série de restrições para controlar a alergia. Agora, o bem-estar de Jefferson só é garantido com uma rotina cheia de cuidados. "Não posso entrar debaixo da cama, mexer com gato, nem comer camarão. Mas assim é bem melhor", conta o garoto.
Diferente de Jefferson, nem todos os pacientes com o diagnóstico de alergia conseguem se adaptar.
Para a presidente regional da Associação Brasileira de Alergia e Imunopatologia (Asbai), vinculada à Associação Médica do Paraná, Cinara Roberta Braga Sorice, o principal desafio no tratamento da doença é o envolvimento dos pacientes, que nem sempre estão dispostos a abandonar seus hábitos antigos. "É difícil ele incorporar o tratamento em sua rotina diária. Ele acha que está bem e que pode parar com o procedimento, mas isso piora o quadro", afirma.
Doença causada por fatores hereditários, a alergia é causada pelo contato do organismo com substâncias estranhas, chamadas pelos médicos de alérgenos. Quando ocorre esse contato, o organismo é sensibilizado, ou seja, afetado pela substância. A partir de então, cria anticorpos de proteção aos elementos, que são responsáveis pelos sintomas da doença. Entre as alergias mais comuns estão a asma (que atinge cerca de 10% da população), rinite alérgica crônica (que afeta 30%), sensibilidade a alimentos e irritação na pele.
Não existe idade certa para a manifestação de uma alergia. O contato com determinado alérgeno ou fatores hereditários favorecem a predisposição da doença.
De acordo com Cinara, pessoas sem nenhum familiar alérgico têm entre 10% e 20% de chances de desenvolver a doença. Quando um dos pais convive com o problema, a probabilidade passa para 40% a 50% e sobe para até 80% quando ambos são alérgicos.
Comida
Nas crianças, os casos de alergia mais frequentes são relacionados à alimentação, como sensibilidade ao leite, ovos, trigo -primeiros alimentos oferecidos na infância-, mas que se perdem com o avanço da idade.
O leite materno é fundamental para a proteção dos pequenos às alergias. Por isso, recomenda-se que seja o único alimento até os 6 meses de idade, seguido pelo leite de vaca no primeiro ano de vida, ovos aos 2 anos e peixes a partir dos 3. Já, entre os adultos, são comuns a asma e a rinite alérgia. Nessa faixa etária, as reações alimentares, como a frutos do mar e amendoim, por exemplo, são mais graves e persistentes.


