Emerson Cervi
De Curitiba
A 7ª Jornada do Centro de Estudos Bom Retiro, que acontece hoje, marca os 55 anos de fundação do Hospital Espírita de Psiquiatria Bom Retiro, em Curitiba. O objetivo é mostrar aos profissionais da área de psiquiatria, estudantes e a outros interessados os resultados conseguidos com a nova filosofia de tratamento dos transtornos mentais, adotada pelo hospital desde 84. ‘‘Com a visão de tratamento do paciente como um todo, e não apenas a cabeça, o hospital vem conseguindo humanizar a recuperação psíquica’’, afirma a diretora-geral do hopistal, psicóloga Maderli Sech.
A jornada começa às 8h30, no auditório da Federação Espírita do Paraná. O psicanalista Oswaldo Di Loreto, que supervisionou a implantação da nova sistemática de tratamentos na década de 80, vai fazer um balanço dos resultados alcançados nesses 16 anos.
Esse novo plano geral de atendimentos do hospital é baseado em dois pontos. O primeiro é a priorização das crises das doenças mentais, reduzindo o tempo de internamento dos pacientes. ‘‘Nosso objetivo é dar a alta hospitalar no menor prazo possível, para eles voltarem às famílias’’, conta a diretora. ‘‘Avaliamos o potencial de recuperação dos transtornos mentais e quando o paciente alcança todo esse potencial ele não precisa continuar internado.’’
Até 84, os pacientes ficavam pelo menos seis meses internados e havia os que chegavam a morar no hospital. Agora, a média de duração dos tratamentos internos é de 42 dias. ‘‘Depois que sai daqui, ele continua a ser tratado pela família.’’
Quando os tratamentos eram longos, os familiares costumavam se distanciar, dificultando a recuperação. No hospital Bom Retiro, as famílias têm reuniões semanais com os terapeutas. ‘‘Nesses encontros eles são informados sobre os avanços obtidos pelos tratamentos e o que devem fazer depois da alta’’, conta.
Outro ponto do tratamento são os atendimentos por equipes multidisciplinares. Profissionais da área de saúde, psicológica, de ocupação e terapia trabalham em conjunto. Cada equipe atende de maneira integrada e contínua um grupo de pacientes, sem a hierarquização das funções. ‘‘Assim, conseguimos atender as necessidade do todo bio-psico-sócio-espiritual do ser humano.’’
Uma experiência bem sucedida no hospital Bom Retiro é o Núcleo de Atenção Psicosocial (Naps). Um dos primeiros a serem implantados em hospitais psiquiátricos, o núcleo atende pacientes com níveis menores de transtorno, durante apenas um período do dia. Eles não são internos e voltam para suas casas diariamente. ‘‘Os pacientes do Naps desenvolvem trabalhos manuais, recebem atendimentos psiquiátrico e medicação’’, explica a diretora.
Desde o início dos tratamentos holísticos (que contemplam o todo) o hospital não utiliza mais os eletrochoques, cubículos e outras formas tradicionais de conter as crises violentas. ‘‘Aqui utilizamos medicação e integração.’’

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