Apenas 33% dos toxicômanos param de consumir drogas quando recebem tratamento. Segundo o psiquiatra Carlos Parada, do Centro Marmottan, de Paris, o importante é que os dependentes de drogas pesadas sejam acompanhados por profissionais para que os prejuízos à saúde sejam menores. ‘‘É uma posição moralista achar que todos têm que parar de usar substâncias’’, acredita Parada. ‘‘A escolha deve ser do paciente.’’
O assunto foi discutido ontem no encontro Panoramas da Toxicomania, em Curitiba.
Parada afirma que a abstenção não deve ser imposta porque o vício não costuma durar mais do que cinco ou dez anos. Para o diretor do Centro Marmottan, Claude Olievenstein, muitas pessoas param de usar drogas naturalmente. ‘‘Seja porque têm outros prazeres, seja pela nova posição sócio-profissional’’.
Depois de deixar as drogas, um terço dos dependentes passa a usar drogas legais, como álcool e medicamentos. ‘‘Outro terço tenta se matar e o restante pára de consumir e vive bem’’, afirma Parada. Segundo ele, é preciso no mínimo um ano para deixar o vício. ‘‘Não há cura para o grande viciado’’, diz Olievenstein. (A.C.)

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