Todos os meses, perto de 250 pessoas são atendidas pelo grupo de profissionais do único Centro de Apoio Psicossocial (Caps) voltado para o tratamento da dependência de álcool e drogas em Londrina Recebem apoio de psicólogos, assistentes sociais e terapeutas ocupacionais
De acordo com pesquisas realizadas em cidades com mais de 200 mil habitantes, perto de 12% da população fazem uso compulsivo de álcool, enquanto 1,7% é dependente de substâncias psicoativas No primeiro caso, levando-se em conta os habitantes de Londrina, cerca de 433 mil pessoas, segundo prévia do Censo 2010, seriam pouco mais de 51 mil alcoólatras No segundo, mais de 7,3 mil seriam dependentes de drogas
Os números representam a quantidade de gente viciada em álcool e entorpecentes na cidade e são um retrato de como o poder público ainda está muito distante do ideal em sua capacidade estrutural de enfrentar o problema Para atender a esse teórico contingente existem, além do Caps, mais dez clínicas de recuperação, das quais seis vinculadas ao Conselho Municipal Sobre Políticas de Álcool e Drogas (Comad), cujo total de atendimentos não é conhecido Os técnicos da prefeitura sabem que existem outras clínicas, mas não sabem dizer quantas são
No Caps, o entendimento que norteia o trabalho é que o usuário é um doente, que está sofrendo e precisa de tratamento, que não, necessariamente, merece ou deve ser feito em uma clínica, longe do convívio social ou familiar O modelo surgiu em substituição ao internamento manicomial O debate sobre legalidade ou ilegalidade de dependência é o que menos importa
''A maior perda para o dependente é a sua condição da saúde Depois vem a perda dos vínculos familiares, de trabalho, de amizade'', disse a assistente social Márcia Avelar ''Recuperar sua saúde é o primeiro resgate consciente que precisa haver Ele tem que conhecer o prejuízo que está sofrendo'' É neste sentido que, segundo ela, o Caps trabalha
Para a coordenadora do grupo, psicóloga Ana Carolina Athayde, a dependência de drogas envolve tanto a questão legal, já que o porte e uso ainda são considerados crimes, quanto a de saúde ''Penso que se não tratar, se não olhar o problema, não adianta nada Tirar o indivíduo do convívio social e prendê-lo não resolve Não vamos vencer fazer cadeias '' (P G )

mockup