No Dia Mundial de Luta Antimanicomial (comemorado ontem), pacientes com problemas psíquicos e emocionais atendidos em tratamento alternativo em Londrina levaram arte para o Calçadão do centro da cidade. Os pacientes expuseram o artesanato que produzem em três centros de atendimento mantidos pela prefeitura. O Centro de Atendimento Psicossocial (Caps), Núcleo de Atenção Psicossocial à Criança e ao Adolescente (Caps-Ca) e a Comunidade Terapêutica Espaço Vida mostraram parte do trabalho desenvolvido na cidade.
A assistente social Divanir Parra Casagrande, do Caps, explicou que a entidade já atendeu cerca de 15 mil pacientes adultos, em cinco anos de existência. Até a implantação do serviço, disse Divanir, a única alternativa era o internamento do doente. ‘‘No Caps o paciente fica durante o dia participando de oficinas literárias, aulas de culinária, trabalhos manuais e caminhadas’’, informou a assistente social. Para os pacientes em crise, quando é necessário um acompanhamento intensivo, existe a internação de sete dias.
A vantagem do tratamento alternativo, segundo Divanir, é o resgate da cidadania. ‘‘O paciente não perde o vínculo com a sociedade.’’ No tratamento convencional, que utiliza internamento por longos períodos, o paciente corre o risco do ‘‘hospitalismo’’. A família, disse Divanir, ao menor sinal de crise, leva a pessoa para o hospital. De acordo com estimativas da Organização Mundial de Saúde (OMS), cerca de 10% da população mundial têm a saúde mental comprometida. Conforme as projeções, afirmou Divanir, em Londrina podem haver 45 mil pessoas sofrendo de algum distúrbio psíquico e emocional.
No Naps-Ca, somente crianças e adolescentes recebem atendimento individual e em grupo. Adolescentes usuários de drogas e moradores de rua são atendidos na Comunidade Terapêutica, que conta com psicólogos, terapeutas ocupacionais, auxiliares educacionais e assistentes sociais.
O objetivo do Dia Mundial de Luta Antimanicomial, segundo Divanir, é informar as pessoas de que a cidade dispõe de serviços alternativos e de resultados positivos. O Caps, Naps e Comunidade Terapêutica atendem gratuitamente a população. Os recursos para o funcionamento das instituições são gerados pelo Fundo Municipal de Saúde e Autarquia Municipal de Saúde.

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