O médico norte-americano Rafael Capella, criador da cirurgia de redução do estômago para reverter a obesidade mórbida, disse ontem em Maringá que a técnica pode ser substituída por tratamento a longo prazo. ‘‘Acredito que em 10 ou 15 anos devem surgir outros métodos’’, opinou antes de participar de uma cirurgia na cidade. Ele esteve em Maringá para receber uma homenagem da Universidade Estadual de Maringá (UEM). Há cerca de dois meses Maringá foi reconhecida pelo Ministério da Saúde como centro de referência da cirurgia para a região Sul do País.
Segundo o médico Daoud Nasser, professor da UEM e responsável pelo reconhecimento do governo, com o credenciamento do Ministério da Saúde as cirurgias podem ser realizadas pelo SUS em pacientes de baixa renda. Em média, o grampeamento do estômago, técnica desenvolvida por Capella, tem um custo entre R$ 8 mil a R$ 9 mil. A operação é indicada apenas para casos de obesidade mórbida, quando a massa de gordura apresenta riscos de outras doenças ao paciente.
Capella informou que nos Estados Unidos o governo paga a maior parte das cirurgias porque é uma forma de prevenir as doenças provocadas pelo excesso de peso. ‘‘Lá, 50% da população tem peso acima do ideal e pelo menos 6% deste total se enquadra na obesidade mórbida’’, revelou, calculando que são 15 milhões de norte-americanos que podem optar pelo grampeamento. O método de Capella foi criado em 1991, com base em outros dois procedimentos utilizados no caso.
O resultado, na visão dele, é animador. O paciente tem o tamanho do estômago reduzido, diminuindo a quantidade de alimentos ingeridos, o que vai refletir a médio prazo na perda de peso. ‘‘Prevenindo todas as doenças que podem ser ocasionadas pela gordura, como diabetes, deficiência cardíaca ou problemas nas articulações’’, compara. Desde que foi implantada em Maringá, a técnica de Capella já beneficiou quase 300 pessoas. ‘‘Existem outras 400 na lista de espera’’, informou Nasser.

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