Buscando proporcionar um tratamento mais humanizado nos presídios paranaenses, a secretaria da Justiça, Cidadania e Direitos Humanos do Paraná (Seju) está capacitando agentes penitenciários que atuam nas unidades penais administradas pelo Estado. Na manhã de ontem, 38 profissionais de Londrina e Maringá (Noroeste) iniciaram um curso de capacitação que tem como foco o respeito aos direitos humanos e que será realizado durante toda a semana. A meta é capacitar até o final do ano 600 servidores que trabalham com presos nos dois municípios.
As aulas estão sendo ministradas pela Escola de Educação em Direitos Humanos do Paraná (Esedh), na Faculdade Pitágoras, em Londrina. São abordados temas como ética, Lei de Execução Penal e questões sociohistóricas, compostas de disciplinas que pretendem discutir a violência, a criminalidade e a prisão sob o prisma dos Direitos Humanos.
''A partir desses temas buscamos compreender sociologicamente que sociedade é essa que produz o homem criminoso. Cada módulo tem uma carga horária diferenciada e os profissionais podem optar pelos cursos de seu interesse'', destaca Cíntia Helena dos Santos, psicóloga e presidente da Esedh em Londrina.
O diretor Casa de Custódia de Londrina, José Roberto dos Santos, destacou a importância dos agentes penitenciários no processo de ressocialização dos presos. ''Os agentes são o principal elo para trazer o apenado de volta à sociedade. Para atingir essa meta enfrentamos um grande desafio que é garantir que os presos tenham acesso à educação e ao trabalho como já está previsto na Constituição'', afirmou.
Atuando há seis anos como agente penitenciário em Maringá, Alberto Augusto da Silva Filho elogiou o programa de capacitação. ''É uma excelente oportunidade para a gente se reciclar. Afinal, profissionais de todas as áreas precisam se aprimorar.''
Desafio
A juíza da Vara de Execuções Penais de Londrina, Márcia Guimarães Marques da Costa esteve presente na aula inaugural do curso da Esedh. ''Londrina conta com três unidades prisionais robustas, higiênicas e dotadas de profissionais de alta qualidade que cuidam de aproximadamente três mil presos. É claro que podem acontecer situações isoladas de abuso, mas no momento o grande desafio acontece nas cadeias, que vivem superlotadas, mas com o tempo esse problema vai ser resolvido'', destacou.
Representante da Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) em Londrina, Ághata Santana confirmou que a situação dos distritos policiais têm gerado denúncias por parte de familiares dos detentos. Segundo ela, após a checagem das informações a entidade encaminha as denúncias procedentes ao Ministério Público.
De acordo com a presidente da Escola de Educação, gradativamente os profissionais dos DPs também serão inseridos nos cursos de formação.

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