Tratamento longe de casa afeta toda a família
Curitiba - A maior preocupação de Luene Ferreira, 8 anos, é que quando ela voltar para casa não vai mais poder brincar com o cão Snoopy. A menina está em Curitiba para se tratar de um câncer na medula e, por causa da baixa imunidade, consequência da quimioterapia, não poderá mais ter um cachorro. ''A pior parte é quando cutucam ela'', relata a mãe, Elizandra Ferreira, referindo-se à aplicação dos remédios. Enquanto ela acompanha a filha, o marido e outras duas crianças permanecem em Ponta Grossa.
Luene e Elizandra estão hospedadas na Associação Paranaense de Apoio à Criança com Neoplasia (APACN), uma entidade que oferece apoio, moradia e orientação para pacientes e seus familiares. Longe de casa, a mãe de Luene se divide entre as preocupações com o tratamento da filha e com a situação dos filhos Emanuele e Pablo, que estão morando com uma tia.
Para a psicóloga Adriana Soczek, da APACN, quem passa por uma situação dessa sofre duas vezes. ''Normalmente, o pai que acompanha a criança tem que tomar muitas decisões difíceis sozinho e ainda se preocupa com aqueles que ficaram em casa'', analisa. ''O nível de ansiedade é altíssimo'', completa.
Na APACN, os pais das crianças recebem acompanhamento psicológico para superar as dificuldades do tratamento. Atualmente a associação abriga 38 crianças de 0 a 17 anos e seus acompanhantes, a maioria mães. (R.C.F.)





