Epidemiologistas da região Oeste do Estado estão preocupados com o número de casos de tuberculose que não regride com o passar dos anos, e com o grande número de pessoas que abandona o tratamento, tornando a cura cada vez mais difícil. Em 23 municípios da 10ª Regional de Saúde, em Cascavel, a desistência no ano passado foi de 17,9% entre os que estavam se tratando, enquanto em nível estadual foi de 14,1%.
As Regionais de Saúde do Oeste estão empenhadas na campanha de prevenção à doença, identificação de casos e atração de doentes para o reinício do tratamento. Folhetos com orientações estão sendo distribuídos em unidades de Saúde. A campanha foi fortalecida com pronunciamento do ministro da Saúde, José Serra, em rede de rádio e televisão, na noite de anteontem, marcando o Dia Nacional de Combate à Tuberculose.
A chefe do setor de Epidemiologia da 10ª Regional Marli Luíza Cella considera ‘‘altamente preocupante’’ o número de pessoas que abandona o tratamento. Em alguns casos, o tratamento é de longa duração (seis meses), e em outros logo no início da utilização dos antibióticos há resultados positivos. ‘‘A pessoa tem a falsa impressão de estar curada, mas o bacilo da tuberculose permanece vivo no organismo’’, explica.
A consequência, quase sempre, é uma ‘‘resistência medicamentosa’’ e o reinício do tratamento, quando ocorre, ‘‘torna-se muito mais complicado’’, porque os medicamentos iniciais podem não mais fazer efeito sobre o bacilo. Além disso, pessoas cujos casos estavam identificados e sob controle tornam-se propagadores da doença. A tuberculose, caracterizada principalmente pela tosse prolongada, é transmitida por espirro ou escarro.
No âmbito da 10ª Regional de Saúde foram registrados no ano passado 104 casos da doença. Este ano já são 81 casos. No ano passado Cascavel, registrou 52 casos, número já alcançado este ano. Nos 18 municípios da 20ª Regional de Toledo, as notificações foram 74 no ano passado, e neste já são 71 - especificamente na cidade, há 16 novos doentes. Os números estáveis ao longo dos anos confirmam que a doença não regride, apesar da ampla oferta de atendimento.
No Paraná, embora em 95% dos municípios haja atendimento especializado e se faça prevenção, em 97 foram registrados 2.647 novos casos. Em todo o Brasil, até o final do ano devem ser identificados pelo menos 90 mil novos portadores - o País é o 6º no mundo em número de doentes. Segundo a Organização Mundial de Saúde, em todo o mundo são registrados anualmente 8 milhões de novos casos, e cerca de 2,7 milhões de pessoas acabam morrendo.

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