Tratamento gratuito ajuda fumante a largar vício
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segunda-feira, 07 de março de 2005
Vanessa Navarro<br> Reportagem Local 
O tratamento gratuito contra o tabagismo deve chegar a 400 serviços públicos de saúde em todo o Brasil neste ano. A informação é do presidente do Instituto Nacional do Câncer (Inca), José Gomes Temporão, que esteve ontem em Londrina. Ao mesmo tempo em que avança no atendimento médico aos fumantes, o governo esbarra em um obstáculo no Congresso Nacional: segundo Temporão, os senadores estão resistindo à aprovação da lei que ratifica a participação brasileira num tratado internacional de controle ao tabagismo.
Desde o final do ano passado, mais de 100 unidades ligadas ao Sistema Único de Saúde (SUS) estão auxiliando dependentes a abandonarem o cigarro, um vício que provoca 200 mil mortes por ano no País. De acordo com o presidente do Inca, a ação representa um grande avanço em relação ao tratamento aplicado até então pela rede pública, que consistia basicamente em terapias de grupo. A novidade é que os pacientes estão recebendo medicamentos de reposição de nicotina e anti-depressivos. ''Só com as terapias, pelo menos metade dos pacientes não conseguia se livrar do vício. Esperamos obter uma eficácia bem maior com a abordagem medicamentosa'', explicou.
Temporão ressaltou que dificilmente um fumante de baixa renda teria condições de arcar com os custos dos medicamentos, considerados caros. E são justamente as classes mais pobres que estão mais suscetíveis ao vício. ''Existe uma relação direta entre nível educacional e tabagismo. Não é incomum que um pai de família pobre deixe de pôr algum alimento na mesa para comprar cigarro'', ressaltou.
Para o presidente do Inca, a ofensiva anti-tabagista no Brasil já obteve enormes vitórias e colocou o País entre os mais avançados do mundo nessa área, reduzindo em 40% o número de fumantes entre 1989 e 2003. Um dos principais fatores responsáveis por essa queda foi a proibição da propaganda tabagista na mídia, por um lado, e a propaganda anti-fumo estampada nas embalagens de cigarro, por outro. O Brasil também saiu na frente ao ser a segunda nação a assinar a Convenção Quadro para Controle do Tabagismo, um acordo mundial que já tem a adesão de 168 países.
O tratado prevê, segundo Temporão, apoio financeiro para que os agricultores que vivem do plantio de tabaco possam substituir gradativamente suas atividades. O problema é que, para contar com esse tipo de apoio, o Brasil precisa agora ratificar em Congresso a sua adesão à Convenção. O projeto de lei que permite essa ratificação já foi aprovado na Câmara de Deputados, mas está empacado no Senado desde setembro do ano passado. ''A indústria do tabaco está fazendo um lobby muito forte contra essa lei. O cigarro movimenta R$ 6 bilhões por ano no País'', afirmou.
O Brasil é o maior produtor de tabaco do mundo e o segundo maior exportador. O presidente do Inca acredita que, se conseguir ratificar o tratado, o País irá estimular dezenas de outras nações a seguirem o exemplo. ''É possível promover uma diminuição sustentada do tabaco em nível mundial. Se conseguirmos, estaremos protegendo as atuais e futuras gerações dos efeitos devastadores do cigarro.''


