No início, o diagnóstico significava sentença de morte. Hoje, com o desenvolvimento do chamado coquetel anti-aids, a sorologia positiva para o vírus HIV indica a descoberta de uma doença crônica que, mantida sob controle, não implica na perda precoce da vida.
O maior desafio dos portadores, portanto, é lidar com as sequelas da patologia e do próprio tratamento. Em Londrina, o Hospital Universitário (HU) oferece, por meio do Sistema Único de Saúde (SUS), a possibilidade de realizar o preenchimento facial para corrigir a lipodistrofia decorrente dos remédios que controlam a síndrome da imunodeficiência e da ação do vírus.
A alteração caracteriza-se por aumento de gordura na região do abdômen, entre os ombros, em volta do pescoço ou no tórax, e também na perda de gordura nos braços, pernas, nádegas e rosto.
O procedimento autorizado pelo SUS é bem-vindo, de acordo com a psicóloga Valéria de Araújo Elias e a assistente social Argéria Serraglio Narciso, ambas do ambulatório de Aids do HU. Segundo as profissionais, as alterações diminuem a autoestima dos pacientes e acabam influenciando negativamente na adesão ao tratamento, favorecendo o desenvolvimento de um processo de depressão e levando ao isolamento social.
''O preenchimento é uma alternativa importante porque ajuda a eliminar a 'cara da Aids' em pessoas que, mesmo com carga viral indetectável, assumem aparência de doentes por causa da lipodistrofia'', explicaram.
A triagem dos pacientes é feita pela própria equipe multidisciplinar do hospital, que avalia se eles enquadram-se em critérios como boa capacidade imunológica, ausência de infecção nos últimos seis meses, idade adequada (acima de 15 anos), avaliação psicológica e segurança na decisão pelo procedimento. Para submeter-se ao preenchimento, pacientes autorizados esperam no máximo um mês. Nos últimos três anos, 25 pessoas foram beneficiadas pela intervenção.
Exercícios
Lipoaspiração e cirurgias plásticas são opções para os efeitos do problema em outras partes do corpo, mas esses procedimentos ainda não são autorizados pelo SUS em Londrina. Dieta balanceada para controle do triglicérides e colesterol, além da prática de exercícios físicos, são medidas recomendadas para minimizarem o efeito do tratamento e do próprio vírus.
De acordo com informações do Ministério da Saúde (www.aids.gov.br), exercícios de resistência, que definem os músculos e queimam os triglicérides estocados na gordura do corpo, associados a exercícios aeróbicos, ajudam a controlar as transformações causadas pelas mudanças no metabolismo.
Além disso, ambas as atividades fazem aumentar os níveis de colesterol HDL (''colesterol bom'') e protegem contra doenças cardíacas. O ideal é, portanto, fazer uma combinação de exercícios aeróbicos (queima de oxigênio) como caminhadas, natação, ciclismo e até dança, e exercícios de resistência, como musculação.

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