Identificar as principais ações do homem que têm impacto na natureza por meio de um caça-palavras. Quem vê a jovem Larissa Souza de Moraes, 10 anos, se divertindo com a brincadeira, em um dos leitos da ala pediátrica do Hospital Universitário (HU), nem imagina que a menina está no meio de uma aula de Geografia com a professora da rede estadual, Rubinea Aparecida Lopes.
A jovem é uma das pacientes beneficiadas com o Serviço de Atendimento à Rede de Escolarização Hospitalar (Sareh), da secretaria estadual de Educação (Seed), que desde 2007 atende estudantes internados em hospital e, portanto, impossibilitados de frequentar a escola. A equipe do HU conta com uma pedagoga, três professores da rede estadual e um professor municipal e nesses cinco anos já atendeu cerca 1,3 mil crianças, adolescentes e adultos matriculados nos ensinos Fundamental e Médio.
''Eu acho bem bacana a aula ser realizada aqui, porque a gente não fica com a matéria do colégio atrasada e acaba tendo a atenção integral de um professor'', conta Larissa, aluna da 6 série do Colégio Estadual Cássio Leite Machado, que havia sido internada devido a crises constantes de enxaqueca. ''Depois das aulas expositivas, eles sempre dão alguma atividade diferente. A gente aprende, se diverte e acaba esquecendo das dores.''
A professora de Geografia atua no hospital desde a implantação do programa e enfatiza que a pedagogia diferenciada oportuniza aos professores trabalhar com a especificidade de cada aluno, a partir da limitação apresentada em cada caso. ''É um desafio que vale a pena. Nunca sabemos o que iremos encontrar pela frente, mas sempre há a possibilidade de adequar a forma de apresentação do conteúdo de uma maneira que permita sua interação'', destaca Rubinea, detalhando que os professores utilizam imagens de livros didáticos, slides, jogos diversos, além de brincadeiras para motivar os alunos.
De leito em leito
De acordo com a pedagoga e coordenadora do programa, Maristela Rosa, participar do programa não é obrigatório, mas quem se nega acaba contagiado pelo colega de enfermaria que aceita.
É a pedagoga quem sai à caça de pacientes em idade escolar (cinco a 18 anos) no hospital. Maristela vasculha o sistema online em busca de nomes e oferece o ''tratamento educacional'' de leito em leito. As aulas, em grupo ou individuais, seguem o mesmo conteúdo da escola. ''Identificamos a necessidade de cada aluno e desenvolvemos a atividade. Nossa equipe não dá notas, apenas informa como o aluno se saiu durante a internação ao colégio, que se encarrega da avaliação formal'', explica, detalhando que a maioria dos alunos é de escola pública.
Visivelmente empolgado com a chegada do professor de Ciências, Luiz Fernandes Dias, para mais uma aula em seu leito, o sorridente Lucas Renildo, 11 anos, prestava atenção a todas as explicações. O menino foi internado no HU para a retirada do apêndice e enquanto se recuperava da cirurgia aproveitou para rever conteúdos das disciplinas de matemática e ciências, que faltavam para ele finalizar o bimestre. ''Achei muito massa, porque nos distraímos aqui ao mesmo tempo em que aprendemos'', destaca Lucas, aluno da 6 série do Colégio Estadual Tsuro Oguido.
A mãe do menino, Edirleide Batista Cavalcante, acompanha as aulas e destaca que o atendimento pedagógico individual do filho estimulou também sua concentração. ''A principal dificuldade dele na escola sempre foi a falta de atenção. Os professores reclamavam que ele passava a maior parte do tempo desligado da aula e agora eu o vejo tão atento'', relata.
Para a realização do programa, o serviço conta com a parceria da Seed, que acompanha e orienta o funcionamento do trabalho, bem como da secretaria municipal de Educação (parceria desde agosto de 2009) e apoio técnico da Divisão de Serviço Social HU.
Maringá
Em Maringá (Noroeste), o programa de acompanhamento escolar no Hospital Universitário já atendeu cerca mil pacientes em cinco anos de atuação. Para comemorar, a equipe de professores organizou uma exposição com fotos dos pacientes atendidos, além de outras atividades, como oficinas literárias, de jogos, de preservação do meio ambiente e de pintura em cavaletes.
De acordo com a equipe de professores do Sareh, como o conteúdo também contempla a Educação de Jovens e Adultos (EJA), não há limite de idade para aprender, até a mãe de um paciente já foi beneficiada. Segundo o grupo, a injeção de autoestima nos alunos ''é a grande sacada do Sareh''.

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