Tratamento é visto com receio pela academia
Como era de se esperar, a filosofia clínica ainda é vista com certo receio pelo meio acadêmico. Tanto por psicólogos quanto pelos próprios filósofos. Procurados pela reportagem, dois professores dessas áreas revelaram suas opiniões sobre a nova metodologia.
Cloves Amorim, professor de psicologia da PUC-PR, admite que conhece pouco a doutrina criada por Lúcio Packter. Mas se preocupa com a formação dos terapeutas. Para ele, quem trabalha com pessoas no âmbito de clínica deve ter conhecimentos múltiplos de antropologia, neurociência e transtornos psicopatológicos - o que talvez não seja o caso dos filósofos-terapeutas. ''Tenho a impressão de que falta profundidade para eles nessas áreas. Isso torna o mergulho muito raso, próximo da autoajuda'', diz.
Filósofo, doutor em semiótica e professor da Unicuritiba e da PUC-PR, Bortolo Valle acredita que qualquer trabalho honesto no sentido de ajudar os outros pode ser valorizado. Ainda ressalta que, desde Sócrates, o pensamento filosófico também é entedido como um processo terapêutico, de ''cura do mundo''. ''Meu desassossego, no entanto, vem do fato de que os filósofos clínicos podem estar confundindo problemas psicológicos com problemas filosóficos. E uma coisa é bem diferente da outra'', explica.
Outro receio de Valle, que já participou de congressos da área, dá conta de uma certa resistência ao diálogo por parte dos criadores do movimento. ''O Packter não se expõe, não abre a filosofia clínica para a discussão. Ainda não houve um levantamento sobre o que está se fazendo no consultório'', diz. ''De qualquer forma, não sou contra. Vivemos num mundo plural, onde há espaço para todos'', conclui. (O.G.)





