Paulo WolfgangClarezaDenise Mashima: ‘A criança tem que saber o que está acontecendo’Entre os tipos de neoplasia que atacam crianças, o mais comum é a leucemia (neoplasia que se inicia na medula óssea - órgão produtor de sangue). Em seguida, de acordo com a hematologista Denise Mashima, vêm os tumores do sistema nervoso central e, em terceiro lugar, os linfomas (neoplasia que se inicia nos órgãos linfóides).
A médica observa que o tratamento depende do tipo da doença e do estágio em que se encontra, mas, no geral, é longo - dura em média dois anos e meio. Em linhas gerais, existem três modalidades para o tratamento do câncer: cirurgia, quimioterapia e radioterapia.
Falando especificamente da leucemia, Denise Mashima explica que o portador do tipo linfóide tem 80% de chances de cura com a quimioterapia. Já a leucemia mielóide aguda necessita de transplante de medula óssea e muitos pacientes acabam morrendo na fila de espera.
Denise Mashima explica que, geralmente, a reação dos pais ao saber da doença é de pavor ou choque. ‘‘Mas isso é esperado’’, revela. Segundo ela, o apoio dos pais é muito importante no tratamento e também é fundamental explicar para a criança o que está acontecendo. ‘‘Ela precisa saber o que está se passando com ela, por que tem que tomar determinados remédios, senão ela fica revoltada’’, observa. ‘‘Quando a gente consegue explicar, passa a trabalhar junto com ela.’’
Quando a criança não resiste e acaba morrendo, afirma a médica, geralmente os pais desaparecem por algum tempo. ‘‘Depois eles vêm conversar e alguns acabam querendo ajudar de alguma forma’’, diz. Segundo Denise Mashima, é comum os pais se sentirem responsáveis pela doença do filho. Nestes casos, ela diz para eles lembrarem que fizeram tudo que podiam pelo filho.

mockup