Tratamento de superfície é solução para vias rurais, afirma engenheiro
Problema na manutenção das estradas de terra é histórico e nova técnica será apresentada durante sessão da Câmara de Londrina
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 27 de fevereiro de 2023
Problema na manutenção das estradas de terra é histórico e nova técnica será apresentada durante sessão da Câmara de Londrina
Rafael Fantin - Especial para a FOLHA 

A produtiva terra vermelha do Norte do Paraná é conhecida pela fertilidade, mas também é desafiadora quando se torna o caminho que liga a prosperidade das lavouras à cidade. A mesma chuva que rega a colheita, molha a estrada e transforma o acesso à área rural em um campo minado de lama.
Quando a chuva cai intensamente, como neste mês de fevereiro, a manutenção das vias fica mais cara e recorrente, pois o moledo e o cascalho, revestimento primário usado, tradicionalmente, de maneira arcaica no campo, são levados pela enxurrada e o tráfego fica impraticável.
Pensando nisso, o engenheiro Victor Hugo Boselli Dantas apresenta na sessão da Câmara Municipal de Londrina, desta terça-feira (28), técnicas para pavimentação de baixo custo, que podem ser usadas pelos municípios do Norte do Estado.
“Só no município de Londrina são quase 1.000 km de estradas rurais. Em Ortigueira, são 5.000 km. Historicamente, as vias eram revestidas com aplicação de cascalho e moledo, proveniente das jazidas naturais das propriedades. Mas, com as chuvas é necessário que a manutenção seja feita com equipamentos como máquina niveladora, rolo, pá carregadeira e outros instrumentos que oneram o valor do serviço aos municípios”, explicou.
Além disso, ainda existem outros complicadores, na avaliação do engenheiro, como a restrição que passou a proibir a retirada do moledo da natureza. “Outra solução seria o uso de pedra irregular, mas não é funcional na nossa região por causa do assentamento. Não temos rocha com plano de clivagem, ou seja, quando batida ela se fragmenta e não se torna plana”, esclareceu.
Para uso em Londrina desta técnica, a matéria-prima teria que ser trazida de Mauá da Serra, que é inviável, de acordo com Dantas, que ainda descarta o uso do bloco sextavado utilizado no solo arenoso, mas sem recomendação para o solo argiloso do Norte do Paraná.
Assim, o engenheiro buscou novas técnicas que são utilizadas em outros países para estabilização do solo, com produtos diluídos em água que podem ser aplicados nas estradas rurais sem provocar danos ao meio ambiente.
“O produto consiste em tecnologia e um sistema construtivo com base na pavimentação com mais resistência do que a base de pedra. A rigidez evita manutenção, resiste o tráfego de veículos com mais longevidade e testes laboratoriais durante o tratamento superficial duplo”, garante.
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Entre os benefícios, Dantas destaca o maior custo benefício da técnica para as estradas no campo, já que a infraestrutura das pistas de rodovias tornaria o orçamento de pavimentação das vias rurais inviável com um alto custo de implantação e manutenção. “Buscamos uma solução prática, barata e que historicamente funciona”, ressaltou.
Questionado sobre os impactos ambientais, ele responde que a técnica e o produto são inertes ao ambiente, aprovados pelos órgãos do setor e ecologicamente correto sem uso de toxinas. “É um sistema construtivo moderno com ensaios laboratoriais diferentes para cada local e um equipe com laboratório na obra para acompanhar a execução”, acrescentou.
Serviço:
“Apresentação de técnicas para pavimentação de baixo custo – Urbano e Rural
Quem: engenheiro Victor Hugo Boselli Dantas
Quando: 28/02/2023
Horário:16:30
Local: Plenário da Câmara Municipal de Londrina
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