'Tratamento' de saúde no bar
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segunda-feira, 12 de março de 2007
Marco Feltrin<br>Reportagem Local 
Rolândia - À primeira vista, trata-se de um bar comum. No local, que também funciona como mercearia, mesas, cartazes de propaganda de cerveja, rádio AM tocando música sertaneja e, atrás do balcão, Benedito da Silva, 58 anos. ''Dito'', como é mais conhecido, é quem torna diferenciado o bar da Rua André Pesenti, 51, na Vila Oliveira, em Rolândia ( 25 km a oeste de Londrina). Ele garante que cura dores de garganta por meio de uma simpatia - como ele mesmo define - que precisa ser feita três dias seguidos. O procedimento é simples e não dura nem um minuto: com um óleo comum, Dito esfrega um nervo no punho do braço direito até que ele diminua, no terceiro dia do ''tratamento''. É por isso que ele chama de simpatia. ''Tem que fazer os três dias seguidos, senão, não resolve''.
A descoberta da técnica de Dito começa em 1982, quando sua mulher estava prestes a fazer uma cirurgia para retirada das amígdalas, devido às constantes dores de garganta. Ele ficou sabendo da simpatia que José Papa, de Astorga (65 km a oeste de Londrina), fazia para curar a garganta e resolveu levar a esposa. ''No terceiro dia, ele explicou para mim como fazia. Vinte dias depois, meu filho também teve inflamação, eu fiz e deu certo. Depois foi o sobrinho, outras pessoas da família, e estou aí até hoje'', conta o homem de 58 anos, todos vividos na Vila Oliveira.
Os primeiros atendimentos eram feitos em casa, mas a fama foi aumentando e ele passou a atender na padaria onde trabalhava. Devido a uma gripe alérgica por causa da farinha de trigo, teve que largar o emprego. Trabalhou um ano e meio como motorista de ônibus da prefeitura, mas o salário não cobria as despesas da família. Resolveu, então, montar o bar, onde atende há 21 anos de três a cinco pessoas que diariamente vão em busca da simpatia. ''Todo dia vem gente aqui, às vezes aparecem grupos de até dez pessoas de uma vez.'' Dito afirma que o período de maior procura é quando há mudança brusca de temperatura.
O dono de bar afirma que já recebeu gente de vários lugares. ''Esses dias uma família de São Paulo que estava passando férias ficou sabendo, e veio todo mundo'', lembra. As crianças são maioria entre os que procuram Dito. ''Criança é mais fácil de fazer, porque o nervo é mais mole. Mesmo assim eu passo o óleo, que é para não judiar.''
Dito passa o dia no bar e mora nos fundos. Abre as portas por volta das 7 horas e só fecha às 22 horas. Aos domingos, o bar só funciona até o meio-dia. A ''simpatia da garganta'', no entanto, não é uma das fontes de renda do bar. Dito faz questão de não cobrar um centavo. ''Uma vez, um amigo do meu filho veio aqui, se curou, voltou um tempo depois para agradecer e me trouxe uma leitoa'', conta. Apesar de não cobrar, ele reconhece que a clientela aumentou. ''Tem gente que vem aqui e já sai tomando uma cerveja gelada, depois vira até cliente do bar.''


