Tratamento de resíduos é tema de discussão
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quinta-feira, 13 de junho de 2013
Érika Gonçalves<br>Reportagem local 
Integrantes do Fórum Desenvolve Londrina, que neste ano discute a questão dos resíduos sólidos, conheceram na manhã de ontem como o assunto é tratado em Barcelona, na Espanha. Carlos Cabrera e Luis Inglada, membros do Instituto Cerdá, explicaram que na cidade existe um plano integrado de tratamento de resíduos, com campanhas permanentes de conscientização da população. A cidade dispõe de caminhões para o recolhimento dos resíduos e também de postos de coleta dos recicláveis, sempre instalados a poucos metros das casas.
O Instituto foi criado pela sociedade civil para planejar Barcelona e é mantido com recursos das iniciativas civil e privada. Os dois vieram a Londrina a convite da Sebrae. Eles explicaram que outra iniciativa na cidade são os pontos para entrega de eletrodomésticos e móveis. Em troca da destinação correta, o morador recebe um bônus sobre o imposto. Barcelona também trabalha com a logística reversa, ou seja, as empresas são responsáveis pelos resíduos de todo produto colocado a venda.
Cabrera e Inglada reconheceram, entretanto, que é necessário um longo tempo para que a destinação dos resíduos ocorra de forma correta. "Levamos 20 anos para o sistema estar maduro. Nossas cidades também têm uma maior densidade demográfica. Londrina é uma cidade dispersa, o que exige uma outra logística", afirmaram.
O presidente da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanismo (CMTU), Carlos Alberto Geirinhas, avaliou que muito do que foi apresentado é semelhante ao Projeto Lixo Zero de Londrina, anunciado no início de maio. "Não tem muita diferença daquilo que estamos colocando, mas eles não têm a figura dos nossos catadores, que precisamos incluir. Assim como estamos pensando na logística reversa, lá existem várias empresas que se responsabilizam e são obrigadas a pegar esses materiais. Os pontos de entrega voluntária (PEVs) também estão considerados", destacou.
Geirinhas também ressaltou o valor da taxa de lixo, que em Barcelona é de 80 euros por domicílio. "Convertido para Londrina, daria R$ 84 milhões por ano e hoje arrecadamos apenas R$ 15 milhões por ano. Esse valor, em torno de R$ 240 por domicílio, é algo parecido com o que algumas cidades de Santa Catarina já implantaram."
O presidente da CMTU afirmou também que para o projeto dar certo é necessário o cumprimento da legislação ambiental, a realização de educação ambiental de forma permanente, a inclusão social através da absorção das cooperativas e a tecnologia. "O lixo não pode ser simplesmente enterrado, precisa ser processado e para isso precisa ser separado adequadamente."
Transição
Sobre o atual contrato com a empresa MM (responsável pela coleta domiciliar), que vence no dia 26 deste mês, ele disse que é normal no período de transição ocorrer alguns problemas. "Hoje (ontem) vou participar de uma reunião com o Ministério Público e até a próxima semana deverá ser anunciado o que será feito até que a licitação seja concluída e a empresa esteja instalada no município. Não abrimos mão, entretanto, da legalidade dessa licitação", explicou. Segundo o presidente, os envelopes das empresas participantes devem ser abertos no dia 8 de julho.
O presidente do Fórum, Cláudio Tedeschi, explicou que já foram realizadas várias palestras sobre diferentes alternativas no tratamento de resíduos. "Todas foram excelentes e as principais linhas de consenso do Fórum serão publicadas no final do ano, propondo as melhores soluções. Sobre Barcelona, eles têm um caminho enorme percorrido. O que eles começaram há 30 anos estamos começando agora. Estamos caminhando há dois anos na logística reversa e eles já estão há 18 anos."


