Londrina não tem kits suficientes nem maquinário para realizar exames de carga viral e contagem de células de defesa, o CD4, em pacientes infectados pelo vírus HIV. A demanda estrangulada, em torno de 80 exames semanais, supera os atendimentos, que não passam de 40 por semana. A informação é do integrante da Associação Londrinense Interdisciplinar de Aids (Alia), Roni Lima.
Segundo ele, muitos portadores do vírus estão cedendo ''solidariamente'' seus exames para outros usuários do Sistema Único de Saúde (SUS). ''Na macrorregião de Londrina são pelo menos 650 pessoas que precisam realizar os exames quatro vezes ao ano'', calculou Lima. Pelas estatísticas, grande parte deste público não têm sido atendida.
Com a saúde estabilizada, Lima foi um dos portadores do vírus que abriu mão de dois exames anuais para que outro usuário pudesse dar continuidade ao tratamento médico. Mas, segundo ele, já houve casos em que o paciente teve de pagar pelo exame para poder mudar a medicação e melhorar a qualidade de vida.
O motivo da falta de kits, explicou Roni Lima, é a dificuldade do Ministério da Saúde em licitar a compra de insumos importados. Outro problema é a descentralização das ações do programa DST/Aids ''que deveria ser municipalizado'', afirmou Lima.
''Desde 2002, Estado e Município não conseguem disponibilizar o local e o profissional para a realização dos exames'', assinalou o representante da Alia. Segundo ele, à esfera federal cabe comprar os materiais dos kits e os medicamentos do tratamento antiretroviral, além de fornecer a máquina para a análise dos exames e distribuí-los aos Estados.
Além dos exames, os portadores do vírus HIV têm direito ao tratamento de doenças oportunistas, mas isso também não tem ocorrido na região de Londrina, segundo ele.
Para Lima, o usuário precisa aprender a defender seus direitos. Ele contou que a associação já ganhou uma ação judicial e que a multa gira em torno de R$ 82 milhões, divididos entre Estado e município. ''O governo vive recorrendo e a multa diária é de R$ 10 mil por usuário que deixa de ser atendido'', explicou Lima.
Segundo ele, além dos kits para exames de carga viral e contagem das células de defesa, o Ministério da Saúde está com dificuldades em obter o princípio ativo de um medicamento que influencia diretamente o tratamento de pessoas com Aids, principalmente pacientes tuberculosos e grávidas.
''É um problema que está além da responsabilidade do Ministério, pois é o laboratório fornecedor da matéria-prima que não tem condições de entregar o produto.'' De acordo com Lima, até sete pessoas de Londrina terão de se adaptar sem a medicação.
''Muitos acabam sentindo-se vulneráveis pela falta de assistência e desistem do tratamento, podendo até morrer.''

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