Tratamento de doenças mentais passa por mudanças
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sexta-feira, 09 de outubro de 1998
Anna Camanducaia 
Profissionais de todo o Brasil defendem uma nova política de atendimento às pessoas que sofrem de distúrbios mentais. O isolamento num hospital psiquiátrico - muitas vezes incentivado pela sociedade por causa do preconceito - nunca foi o melhor caminho no tratamento da doença.
Representantes de conselhos da área de saúde estiveram ontem - Dia da Saúde Mental -, na Praça Santos Andrade, para esclarecer a população sobre o problema e tentar acabar com o preconceito.Ainda existe muito preconceito, que vai desde o isolamento de uma pessoa considerada esquisita no trabalho até a decisão de internar um familiar porque ele incomoda, diz a psicóloga Célia Mazza de Souza.
A convivência com a família e com as tarefas do dia-a-dia são essenciais para a recuperação e reintegração de quem tem algum distúrbio mental. Por isso, cada vez mais, defende-se o trabalho ambulatorial, no qual o paciente fica o dia inteiro na clínica e volta para casa à noite. Assim, o paciente vai se reorganizando e tendo condições de enfrentar os desafios da vida, afirma Célia.
O internamento é indicado temporariamente quando a pessoa coloca em risco sua saúde e a de quem convive com ela - quando não tem controle das emoções. Há necessidade de um tratamento intensivo também quando ela não tem cuidados básicos, como alimentação e higiene. A partir do momento em que dê conta de organizar seu pensamento e lidar melhor com as emoções, pode passar para o atendimento ambulatorial.
Segundo Célia Mazza de Souza, os distúrbios mentais estão ligados à forma de enfrentar as exigências da vida e ao sentimento em relação a si mesmo e aos demais. Quem tem problemas mentais geralmente se descontrola com facilidade, não tolera frustrações, tem baixa auto-estima ou se superestima.
A falta de tratamento pode agravar a doença, causando mau rendimento escolar, abuso de álcool ou drogas, conflitos familiares, violência e até suicídio.
As patologias mentais são causadas por fatores genéticos e ambientais. Segundo o psiquiatra e psicanalista Sérgio Kaio, do Hospital Pinel de Curitiba, as perturbações começam a aparecer quando a pessoa é solicitada a desempenhar sua competência. A base do problema pode estar na infância, mas as dificuldades só aparecem na adolescência.
É preciso estar atento aos sintomas dos distúrbios. Muitas pessoas não percebem que um familiar têm problemas por falta de conhecimento ou por não quererem aceitar. O problema que o paciente tem pode ser o de uma família inteira, diz Kaio.


