Tratamento da dor no Brasil é malfeito
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quinta-feira, 19 de abril de 2001
Telma Elorza De Londrina 
Uma das principais linhas de pesquisa do médico farmacologista Sérgio Henrique Ferreira é uma das questões mais polêmicas no momento em que se cogita a proibição da dipirona, um dos medicamentos mais usados contra a dor. Foi sobre dor isquêmica (decorrente da supressão da circulação sanguínea devido à constrição arterial) que ele falou ontem no 29º Congresso Paranaense de Cardiologia, que está sendo realizado até amanhã no Centro de Convenções do Hotel Sumatra, em Londrina. Para o médico, dor é assunto sério. Muito mais do que apenas um sintoma de doença. O tratamento da dor no Brasil é muito malfeito. Os pacientes sofrem com dores que poderiam ser facilmente controladas, garantiu.
Segundo Ferreira, há duas atitudes em relação a dor: a derivada da atitute cristã a dor a ser suportada, como uma consequência do pecado e a médica se a pessoa tem dor, é porque está viva. Só que a dor, apesar de ser apenas um sintoma, é extremamente prejudicial. Com a dor, a pessoa pode ter distúrbios como a hipertensão, a depressão e até chegar ao suicídio, afirmou. Para ele, uma pessoa que tem dor por causa de um câncer terminal, por exemplo, não precisaria sofrer tanto quanto sofre hoje. Por que tem que morrer com dor quando há drogas que minimizariam o caso?, questionou. Por outro lado, ele lembrou que em alguns casos, como o da artrose, a dor não pode ser totalmente controlada. Senão o paciente se autodestruiria porque se tiraria o sintoma, que o faz controlar suas atividades, admitiu.
Para isso é que deveria haver a figura do médico-fisioterapeuta, aquele que acompanha o paciente em sua luta contra dor, defendeu. Ou pelo menos, de acordo com ele, uma equipe multidisciplinar formada por médico, fisioterapeuta, psicólogo e assistente social atendendo a vítima da dor. Em qualquer lugar civilizado do mundo é assim, criticou.
Sobre a possibilidade de proibir o uso de dipirona, o médico é enfático. A indústria farmacêutica tem interesse na sua proibição porque é um medicamento muito barato em comparação a outros, afirmou.


