O bom humor, o sorriso e o abraço apertado do cardiologista Wellington Moreira contrastam com a preocupação da sala de espera lotada. Para ele é assim: a consulta começa animada, ''receber os pacientes desta forma faz toda a diferença'', disse. Esse estilo de trabalho coloca o médico entre aqueles que desenvolvem com o paciente uma relação que vai além do profissional. Wellington une o atendimento a uma filosofia: a de satisfazer as expectativas e necessidades de quem busca a consulta.
Ele atende pacientes particulares, de convênio e também do Sistema Único de Saúde (SUS), para o médico, a diferença entre estes pacientes é o tempo dedicado. ''Independente do local a minha consulta é a mesma, com a diferença que pelo SUS tenho mais pacientes para atender em menos tempo'', esclareceu.
Ele afirmou que gostaria de fazer a consulta com maior abrangência, mas esta questão é limitada pela falta de tempo. ''Às vezes o paciente apresenta um sintoma físico que reflete uma fragilidade emocional, o médico precisa ter sensibilidade para entender isso'', destacou. Ele disse ainda que atualmente os médicos têm um preparo para atender de forma mais técnica do que humanista, ''aqueles que têm uma visão mais geral agradam mais os pacientes'', declarou.
Para o urologista Cid Janene El Kadre, a educação está diretamente relacionada à boa consulta. ''Gosto muito do que faço, procuro respeitar as pessoas e isso acaba resultando num bom trabalho'', disse.
De acordo com ele, o primeiro passo para uma boa consulta é o médico se apresentar ao paciente, ''depois disso, gosto de ouvir o que o paciente tem a falar, e prefiro examiná-lo antes de abrir qualquer exame que ele tenha trazido'', explicou. Segundo o urologista, itens fundamentais são usar uma linguagem acessível e ser honesto. ''Gosto de deixar um espaço aberto para o paciente tirar todas as dúvidas antes de sair do consultório.''
A dermatologista Aline Anizelli acha que o bom atendimento começa na secretaria do consultório. ''A pessoa tem que ser bem recebida desde o começo.'' O tempo mínimo necessário para uma boa consulta é 30 minutos, ''acho importante deixar espaço suficiente para o paciente e o médico tirarem todas as dúvidas'', disse.
Outro diferencial, na opinião de Aline, é a pontualidade. Ela procura manter o que foi combinado, mas admite que às vezes a situação foge do controle. Para ela também é fundamental conversar com o paciente em uma linguagem simples e explicar cada medicamento ou produto recomendado na receita.
''Repassar informações sobre a evolução da doença e os tratamentos disponíveis transmite confiança e a pessoa sente que está sendo bem cuidada. Quando me deparo com uma situação difícil consulto outros colegas antes de dar uma resposta definitiva ao paciente, acho importante esta interação entre os médicos, isso também interfere na qualidade do atendimento'', esclareceu.

mockup