O programa Lixo Útil de Toledo (45 quilômetros a oeste de Cascavel), considerado referência nacional para o tratamento aos resíduos sólidos urbanos, está sendo ampliado com a implantação de novos pontos fixos de coleta, nos quais famílias carentes entregam recicláveis em troca de alimentos. Também começa a operar um caminhão repassado pelo Fundo Nacional do Meio Ambiente, com carroceria especialmente projetada e compartimentos para a separação dos materiais.
Com as ampliações, o programa chega ao elevado índice de recolhimento de um terço de todo o lixo gerado na cidade. Pesquisa encomendada recentemente pela Secretaria de Política Urbana do Ministério do Orçamento e Gestão indicou ser o Lixo Útil o de melhores resultados, entre programas do gênero desenvolvidos em 110 municípios brasileiros. A pesquisa foi coordenada pelo sanitarista Nicolau Obladen, presidente da Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e do Instituto de Saneamento Ambiental da Pontifícia Universidade Federal do Paraná.
Na pesquisa foram considerados aspectos como planejamento das ações, sua continuidade, melhorias introduzidas, educação ambiental e adesão popular. O Lixo Útil, que em 97 recebeu o Prêmio Paraná Ambiental do governo do Estado, despertou interesse também do professor venezuelano Omar Ovalles, especialista em Planejamento Ambiental, que esteve na cidade no final de março. Segundo Ovalles, a experiência pode ser reproduzida em seu país, por representar ‘‘a vanguarda’’ no tratamento a resíduos urbanos.
Aproximadamente 3,7 mil famílias carentes participam do Lixo Útil, entregando materiais, levados para um depósito da prefeitura e vendidos para empresas recicladoras. A venda permite a compra de cestas básicas de alimentos e a própria manutenção da estrutura do programa, liderado pela Secretaria de Meio Ambiente. Mensalmente, são distribuídas mais de mil cestas de 21 quilos, com feijão, arroz, farinha, fubá, azeite e outros alimentos, em troca de materiais entregues limpos, secos e separados entre os diferentes tipos.
Segundo o secretário André Angonese, no ano passado foram comercializadas cerca de 980 mil toneladas de recicláveis, a maior parte papel (410 toneladas) e vidro (260 toneladas). Ontem, já com o novo caminhão, o programa ampliou de dois para três os pontos de coleta em bairros estratégicos, e outros dois serão instalados nas próximas semanas em salões comunitários e outros locais públicos.

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