''Se não houver um tratamento adequado a estes adolescentes, isso irá repercutir no sistema prisional. É difícil apontar uma solução, mas uma alternativa é a criação de um observatório de pesquisa nas universidades para se ter um diagnóstico do perfil do adolescente em conflito em Londrina e, a partir disso, ter propostas de intervenção.'' A afirmação é da secretaria estadual de Justiça e Cidadania, Maria Tereza Uille, que esteve ontem em Londrina participando do Fórum Desenvolve Londrina, entidade que há seis anos estuda problemas da cidade e aponta ideias que poderão se tornar políticas públicas.
O indicador deste ano é intitulado ''Delinquência Juvenil em Londrina: índice de infrações de menores em conflito com a lei''. A secretária apresentou ontem dados de um levantamento feito pela Promotoria de Justiça e organizado em uma pesquisa intitulada de Observatório das Violências nas Escolas PUCPR: Pesquisa e Intervenção, entre março de 2005 e novembro de 2006 e que entrevistou 3.881 adolescentes.
De acordo com a pesquisa, a população carcerária do Paraná hoje é de 30 mil presos, sendo 15 mil condenados e a outra metade, em regime provisório. Dos condenados, quase 4 mil são jovens e adultos entre 18 e 24 anos.
Além disso, a secretária observa a importância de um sistema de avaliação da educação em nível municipal ou estadual, aprovado por lei, visando melhorar a qualidade da educação e da inserção dos adolescentes que estiveram em conflito com a lei.
Outra questão necessária, observada por ela, é o encaminhamento de políticas públicas preventivas antidrogas. ''Com uma vivência prática no Ministério Público, posso dizer que faltam ambientes próprios para a desintoxicação dos usuários. Existe uma resistência muito grande à internação, mas é preciso passar por esse processo para poder deixar as drogas'', diz ela, ao sugerir um modelo, que poderia ser articulado nas universidades, entre os setores de psiquiatria, assistência social, entre outros.
Evasão escolar
De acordo com o levantamento apresentado pela Promotoria de Justiça, o índice de adolescentes em conflito com a lei e que estão fora da escola é muito alto. Dos 3.881 adolescentes ouvidos na pesquisa, 40% apresentam quadro de absoluta exclusão do sistema escolar. ''Com isso, vemos a importância de se ter em cada escola, principalmente nessas que atendem alunos de 5 a 8 série, em que o índice é maior, políticas públicas para combater a evasão escolar'', diz.
Na avaliação de Maria Tereza, o problema não só depende de evitar que o aluno saia da escola, mas também contribuir com as escolas e com os professores, para que eles consigam lidar com essa questão da violência. ''Para eles também é um situação muito difícil. Então, a questão do diálogo e da capacitação dos professores é fundamental. Deveria existir um núcleo de conciliação de conflitos, que poderia percorrer várias escolas, formado por pessoas capacitadas para trabalhar essa questão do encaminhamento da violência'', afirma.
Outro detalhe a ser estudado é a reinserção dos adolescentes infratores ao ambiente escolar. ''É preciso oferecer um atendimento diferenciado para que eles possam ser incluídos em qualquer época do ano'', comenta.

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