TRATAMENTO - Surdez deve ser tratada desde o nascimento
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sábado, 10 de novembro de 2007
Silvana Leão<br> Reportagem Local 
Hector Ian Moreira França tem quatro anos e se expressa por sons ininteligíveis apenas aos familiares. O garoto é vítima de perda profunda de audição, causada por consanguinidade entre os pais, e integra um grupo de aproximadamente 15 milhões de brasileiros que apresentam a deficiência, em diferentes graus. Hoje começa a Semana Nacional de Prevenção e Combate à Surdez, e Hector ilustra bem a luta destas pessoas para voltar a ouvir os sons ao seu redor.
Na última terça-feira a avó do garoto, Neide Terezinha Ferreira Moreira, o levou ao Centro Audiológico do Instituto Londrinense de Educação de Surdos (Iles) para fazer um exame conhecido como BERA, ou PEATE (Potencial Evocado Auditivo de Tronco Encefálico), que permite avaliar as vias auditivas até o tronco encefálico. A grande preocupação dela é que o neto se adapte à prótese que o permitirá captar os sons ao seu redor, e assim poder frequentar a escola.
Se conseguir uma vaga na escola do Iles, Hector terá, além das aulas bilíngues (a instituição usa também a Linguagem Brasileira de Sinais), atendimento com dentista, ortodontista, assistente social e psicóloga. O instituto foi fundado há 48 anos e só na clínica recebe uma média de 200 pacientes por mês, de Londrina e região. Cerca de 80 próteses são colocadas mensalmente, via Sistema Único de Saúde (SUS).
''Os pacientes que recebem os aparelhos são encaminhados mensalmente, até a adaptação total ao aparelho. Às vezes é necessário fazer regulagens'', explica a responsável técnica do centro audiológico, Letícia Senedese Werner Fávaro. Ela explica que os pacientes - de todas as idades - são encaminhados pela rede pública de saúde, e que quanto mais cedo o diagnóstico for feito, mais eficiente a resposta ao tratamento.
''O ideal é que o problema seja detectado até os três meses de idade, e a colocação do aparelho, com estimulação auditiva, seja feita até os seis meses. Nesta idade a criança começa a bulbuciar, e é importante que ela ouça seus próprios sons para desenvolver a fala o mais próximo possível do normal'', explica a fonoaudióloga. Ela destaca a importância do Teste da Orelhinha (baseado em emissões autoacústicas), obrigatório desde o final de 2002 na maternidade municipal. ''Até então esperava-se dois ou três anos para fechar o diagnóstico, o que atrasava muito o desenvolvimento da fala e da linguagem. Atualmente o Iles atende 11 crianças que tiveram o diagnóstico feito pelo teste.''
O Iles trabalha com vários tipos de aparelhos, que são recomendados de acordo com cada caso. Naqueles em que há perda total de audição, as próteses ajudam a ouvir os sons mais fortes, protegendo o paciente de uma situação de risco, como a freada ou buzina de um automóvel. A fonoaudióloga destaca ainda que uma vez lesada, a membrana do ouvido não é recuperada. ''É possível apenas a regeneração de algumas células, daí a necessidade do uso do aparelho'', informa Letícia.


