Tratadores atuam para animais brilharem na Expo
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sexta-feira, 15 de abril de 2005
Luciano Augusto<br> Reportagem Local 
Altivo, impecável e parecendo consciente da sua missão, o animal se coloca diante dos juízes na pista de julgamento como um modelo na passarela. Os flashes, o alto-falante e os comentários da platéia inundam o espaço de apreensão. Afinal, são apenas alguns minutos na arena, que fazem a diferença entre ser o melhor e ser apenas mais um. E para não voltarem para suas fazendas de origem derrotados, eles precisam do apoio de uma pessoa essencial: o tratador, aquele que zela pelo seu bem-estar, lhe dá de beber quando tem sede e que tem uma palavra carinhosa mesmo quando nem todo mundo acredita em seu potencial.
E numa exposição agropecuária como a de Londrina, com mais de 13 mil animais sendo mostrados ao público, os tratadores somam um batalhão com centenas de homens. Guerreiros como o jovem José Novak, de apenas 20 anos, que veio de Guarapuava para cuidar de cinco exemplares da raça Charolês. ''Adoro essa profissão. A gente pega carinho pelos animais e eles também sentem isso pela gente e pegam confiança.'' O rapaz revelou que tem animal que o reconhece pelo cheiro e ele, que já cuidou de grandes campeões nacionais, também conhece todos pelo nome e sabe o temperamento de cada um. ''Essa aqui mesmo, a Emanuele, era bem arisca e agora é igual um cachorrinho'', elogiou. Sua história como tratador começou há cinco anos quando trocou o cabo da enxada pela lida com os animais. Os calos da antiga ocupação ainda estão nas mãos mas nem de longe imagina em deixar de fazer o que faz hoje.
Anderson Luiz Heirich, 27 anos, veio de Ponta Grossa também para cuidar de alguns charoleses. Trabalha há três anos e meio como tratador e está feliz na profissão. ''Tem que gostar dessa vida porque senão não vai para frente. A gente acompanha cada animal desde quando nasce e sempre acaba tendo mais carinho por algum que do que por outro'', confessou. Por isso, consegue sem pensar a idade exata de cada animal: ''a Umbela tem 11 meses e 20 dias''. Hoje ela entra na pista de julgamento tendo ao lado o seu fiel escudeiro.
E enquanto não chega o dia do julgamento, são os tratadores que também servem de ''psicólogos'' dos animais. Entre uma volta e outra numa das arenas do Parque de Exposição Ney Braga, o domador de mangalargas Marcelo da Silva, 28 anos, explicou a importância do que fazia: ''Isso serve para relaxar o animal, para tirar o estresse acumulado durante a feira.''
Na quinta-feira, quando falou com a reportagem, ele cumpria a tarefa com um prazer singular, pois montava sua égua preferida. Calcutá tem quatro anos, foi uma aposta sua e hoje a mangalarga está avaliada entre R$ 80 mil e R$ 100 mil. ''Ela tem uma história até engraçada. Ninguém acreditava que ela seria vencedora. Eu apostei e já pegou 1º lugar em morfologia e andamento no campeonato nacional em Ribeirão Preto'', contou. Vivendo em meio aos cavalos desde os oito anos, Silva aprendeu com o pai os segredos da doma e hoje ensina que ''é preciso ter muita dedicação para aprender e evoluir na profissão''.


