Transtorno trouxe restrições a jovem
Curitiba Marcelo (nome fictício) era um adolescente carioca normal até os 16 anos. Frequentava escola e era bom aluno, gostava de surfar, ir para a balada. Depois de passar cinco dos 11 meses que ficaria fora do País e longe da família, ele teve sua primeira crise, vindo a descobrir anos mais tarde que sofria de transtorno bipolar.
''Não me adaptei à família estrangeira que me adotou. Comecei a chorar muito e isso me fragilizou. Sentia saudades dos meus pais e irmãos e, quando voltei ao Brasil, tive que ser internado com crise de euforia'', contou. Daí por diante, as crises aconteciam em intervalos de nove meses ou 10 meses e a internação era a única saída.
Hoje, com 33 anos e morando em Curitiba há 10, Marcelo diz que nos últimos 8 anos não precisou mais ser internado. No entanto, o uso da medicação para controlar as fases de mania ou depressão é constante e regrado.
A bipolaridade trouxe algumas restrições à vida de Marcelo. Ele afirma ter tido dificuldades de relacionamentos afetivos, sofria discriminação, constrangimentos e nunca teve segurança para procurar um emprego. ''Como é que eu ia chegar para o empregador: olha você me coloca na vaga, mas talvez daqui a nove meses eu precise ser internado'', relembrou. Somente aos 23 anos começou a trabalhar e sempre nos negócios da família.
Para Marcelo, um fator primordial para que ele nunca chegasse ''ao lado negro da doença'' foi o fato de não ter usado drogas em nenhum momento de sua vida.(A.L.)





