Londrina – Obra é sinônimo de transtorno para quem mora ou circula pelo entorno dos canteiros. É preciso lidar com a poeira nos dias secos e com o barro quando chove. O problema é maior quando o ritmo do trabalho é mais lento do que o previsto e o incômodo persiste quase que por tempo indeterminado. E esses atrasos ocorrem tanto em obras particulares quanto nas tocadas pelo poder público.
Um exemplo é a obra de duplicação da Avenida Castelo Branco, na zona oeste de Londrina. A assinatura para o repasse dos recursos do programa Paraná Cidades, de R$ 3,6 milhões, foi em fevereiro de 2013. Problemas jurídicos, férias de trabalhadores e chuvas provocaram seguidos atrasos. A conclusão agora está prevista para junho, mas a construtora responsável pela obra já afirmou que há a possibilidade da entrega ser postergada.
Enquanto isso, quem mora ou trabalha na região sofre com os problemas. A secretária Verônica Borges de Carvalho, que trabalha na região, conta que cansou de ligar para a construtora responsável pelas obras para dar uma solução à sujeira que fica no local após cada fim de expediente. "Eles amontoam a terra em um ponto, depois só mudam esse monte de lugar, mas acabam não solucionando nada", reclama.
Por isso, conta, precisa fazer a limpeza no escritório em que trabalha "o tempo todo" para que as paredes não fiquem "impregnadas de terra". "Esse sofrimento já dura seis meses. O arquiteto Carlos Marchesi, dono de escritório na região, conta que a construtora responsável pela obra utilizou energia e água do imóvel dele sem autorização. "O Código de Posturas exige que a construtora lave o local das obras com caminhão-pipa, mas eles só fizeram isso no começo. Além disso, aqui era uma via asfaltada, mas depois que instalaram a tubulação de água e esgoto o pavimento asfáltico não foi reconstituído. Essa lama toda tem como destino a galeria pluvial da região, que desemboca no Lago Igapó", aponta.
De acordo com o secretário de Obras, Walmir Matos, os problemas na Castelo Branco aconteceram por conta de atrasos da construtora responsável pela obra, que chegou a ser notificada pela administração municipal. "Esperamos que a obra seja finalizada até julho", projetou.
O representante da construtora, Aílton Zanim, diz que "ninguém o procurou para cobrar a dívida alegada" pelo proprietário do imóvel do qual teriam sido usadas água e luz. Também afirmou que "não há como fazer obra sem fazer sujeira". "O prazo para a entrega da obra é março, mas com essa chuva não terá como cumprir isso", reconhece. Já a Secretaria Municipal do Ambiente informou que não foram detectados danos ao meio ambiente na obra. E o Instituto Ambiental do Paraná afirmou que está sem chefe regional para poder avaliar o problema.
Outro ponto da cidade onde uma obra em ritmo lento tem sido alvo de críticas é a PR-445. A operadora industrial Flaviana Barbosa, da região sul, reclama de ter de circular pelas marginais tomadas pelo barro por conta da obra de duplicação. "Quando chove aqui vira lama pura. Os caminhões passam correndo e espirram uma água marrom na gente", critica. "Quando uso roupa clara, fica difícil de lavar."
A auxiliar de serviços gerais Edna Maria Luiz também é obrigada a lidar com a lama e o pó. "Tenho que limpar duas vezes o mesmo lugar no dia. Eu poderia fazer outras tarefas, mas preciso refazer o trabalho por causa do pó. E nos dias de chuva preciso limpar a lama", lamenta.
O superintendente da regional de Londrina Departamento de Estradas de Rodagem (DER), José Ferreira Heidegger, informou que um grupo técnico percorreu o trecho urbano da PR-445 e detectou 37 pontos que precisariam de correções para evitar o empoçamento de água e o vazamento de lama. "Nós já estamos corrigindo tudo. Não vai mais ter problema", afirmou. Ele não quis dar um prazo até que todas essas correções sejam realizadas.

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