Moradores do Jardim Nova Olinda (Zona Norte de Londrina) estão há um ano e meio convivendo com um grande incômodo. No local está sendo construída uma transposição da linha férrea, sob responsabilidade do Departamento Nacional de Infraestrutura e Transporte (Dnit). Com a chuva desta semana, parte do barranco cedeu próximo às calçadas e deixou exposta a tubulação, que quebrou em alguns locais. Além disso, um grande acúmulo de água acabou paralisando a obra ontem.
Cansados de tentar negociar, moradores entraram com uma ação nesta semana na 2 Vara Federal, pedindo o embargo da obra, que está sendo construída nas avenidas José de Lima Castro e Clarisse de Lima Castro, e análise das irregularidades do projeto. Financiada pelo governo federal, a obra está estimada em R$ 6 milhões e está a poucos metros de várias casas.
De acordo com Albert Prieto Germinari, um dos advogados autores da ação, o pedido já está nas mãos do juiz para ser analisado e espera-se que até a próxima semana alguma decisão seja anunciada. ''A execução da obra está irregular, os barrancos estão caindo, não tem sinalização, os moradores não conseguem sair de casa. A distância entre as casa e o muro do viaduto vai contra a legislação municipal e contra a legislação da construção dos viadutos'', explica.
O gerente comercial Rodrigo Garcia mora há cinco anos no bairro e reclama da falta de estudo antes de se fazer o projeto e o descaso com os moradores. ''Não sabiam que no local há pedra bola; quando batem em uma pedra dessas, treme tudo. A casa vizinha da minha teve rachaduras na lage. A Defesa Civil fez um laudo comprovando que os muros estão tendo rachaduras. além disso, muitos moradores não podem mais entrar e sair de suas garagens, estou emprestando meu quintal para guardarem os carros, porque minha casa fica no começo do quarteirão'', conta.
De acordo com Garcia, na época em que foi feito o projeto não existiam casas na vizinhança. ''A prefeitura não deveria ter autorizado um loteamento neste local. Quando compramos nossos lotes não imaginávamos que um viaduto iria passar na frente das casas. Agora, além da sujeira e da bagunça, sofremos também com a desvalorização dos imóveis. Quem vai querer comprar as nossas casas?'' Ele conta que a prefeitura foi procurada para negociar uma desapropriação, mas disse não haver interesse.
Os moradores contrataram um engenheiro particular para fazer um laudo do projeto. Segundo ele, depois que a obra for concluída as ruas laterais terão apenas 3,25 metros de largura, o que dificultará a passagem de caminhões e veículos grandes.

Transposição de linha férrea gera ação
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