Um meio de transporte alternativo, não poluente e saudável. Como se isso não bastasse, a bicicleta ainda ajuda os trabalhadores a economizar um pouco mais no final do mês. Em Londrina, os ciclistas são muitos e circulam por toda a cidade.
O ajudante de serviços gerais de uma empresa de bebidas, Clailson Damasceno, 34 anos, mora no Bairro Aeroporto (Zona Leste) e leva 15 minutos para chegar ao trabalho, localizado na Avenida Dez de Dezembro (Área Central). ''Sempre usei a bicicleta para ir trabalhar. Há alguns anos atrás, eu trabalhava numa empresa que ficava lá na PR-445, saída para Curitiba e ia de bicicleta do mesmo jeito. Levava uns 45 minutos para chegar e uma hora e meia para voltar para casa'', diz.
Pequenas, com marchas, de velocidade ou bem simples. Independentemente do modelo, as bicicletas são companheiras daqueles que não possuem outro meio de transporte. Se não fosse pela agilidade de sua bicicleta, a faxineira Isabel Moreira, 47 anos, não conseguiria chegar cedinho no seu trabalho, uma farmácia no Centro da cidade. Ela mora no Jardim Santa Rita (Zona Oeste) e leva cerca de meia hora para percorrer o trajeto. ''Uma vez peguei uma casa para limpar lá perto da UEL e fui de bicicleta. Acho que levei uns 40 minutos. Ir de bicicleta é mais rápido e também economizo meus passes no final do mês'', conta.
Isabel trabalha de segunda à sexta e recebe vale-transporte todos os dias. Ela conta que consegue economizar quase R$ 90,00 por mês trocando o transporte coletivo pela bicicleta. ''Com 22 dias de trabalho eu recebo 44 passes, que dá R$ 88,00. Isso me ajuda muito com as despesas de casa'', salienta.
A bicicleta do pintor Waldemar Pereira da Silva, 49 anos, é fundamental para seu trabalho. Além de meio de transporte, é utilizada para levar suas ferramentas, latas de tinta e pincéis. ''Faço tudo de bicicleta. Moro perto do Hospital Universitário (HU) e vou para todos os lugares. Às vezes os caminhos são um pouco difíceis e os motoristas não ajudam muito. Mas já fui trabalhar em lugares bem longe, pra lá do Shopping Catuaí'', comenta.
O diretor de Trânsito da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU) de Londrina, Álvaro Grotti Júnior, alerta quanto ao uso da bicicleta, que segundo ele, deve ser de acordo com as leis de trânsito, assim como qualquer outro veículo. ''No Calçadão, por exemplo, os ciclistas não podem trafegar pedalando. Não devem circular na contramão, nem nas calçadas, e devem respeitar a sinalização do trânsito assim como qualquer outro motorista'', salienta.
De acordo com a Companhia de Trânsito de Londrina, no ano passado, 237 bicicletas se envolveram em acidentes de trânsito; destes, oito acabaram resultando em mortes. Neste ano, mais de 100 ciclistas já se envolveram em algum tipo de acidente e pelo menos cinco já vieram a óbito.
O Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Londrina (Ippul) tem um projeto para construir 64 quilômetros de pistas específicas para o tráfego de bicicletas no município. Segundo o presidente do Ippul, Luiz Figueira de Mello, as obras de duplicação da Rodovia Carlos João Strass, uma das principais vias de ligação entre a área central e a Zona Norte, já incluem a construção de ciclovia.
''O acesso ao Jardim Botânico de Londrina e as obras da Avenida Harry Prochet também incluem ciclovias. É um meio de tranporte importante, saudável e bastante viável à população. Por isso, os novos projetos que têm saído do Ippul já estão contemplando a construção das ciclovias''.

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