Todos os dias a auxiliar de Enfermagem Sandra de Almeida, moradora do Jardim Alpes (zona norte de Londrina), utiliza o transporte público para ir ao trabalho, em uma Unidade Básica de Saúde na vizinha Cambé, e passa pela Avenida Leste-Oeste, enfrentando os mesmos problemas: a longa espera pelo ônibus e o tráfego pesado de veículos. "Não é nada fácil começar o dia, a gente já chega estressada no trabalho com tanta lentidão", revela.

No entanto, assim como para milhares de usuários do transporte público, a rotina de Sandra deve mudar nos próximos anos. É o que prevê o projeto de implantação de "Bus Rapid Transit" (BRT), sigla em inglês para o "Transporte Rápido por Ônibus". A construção do sistema será financiada por recursos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC 2), do governo federal. Detalhes sobre as obras foram dadas ontem de manhã, pelo prefeito Alexandre Kireeff. Ele falou sobre o Plano Municipal de Mobilidade Urbana, resgatado da última gestão e adaptado durante o período de transição da administração, no ano passado.
O sistema do BRT deve ser baseado em dois grandes corredores, um no sentido norte/sul, com 13 quilômetros (da Avenida Saul Elkind até a PR-445), e o outro no sentido leste-oeste, com 11 quilômetros, iniciando na Avenida Cruzeiro do Sul até próximo à Avenida dos Pioneiros.

Segundo informações do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Londrina (Ippul), os corredores utilizarão os próprios leitos das avenidas 10 de Dezembro (Via Expressa) e Leste-Oeste, eliminando a necessidade de desapropriação de áreas. O BRT de Londrina terá dois grandes terminais de bairro e outras 25 estações – as localizações ainda serão definidas pelo Ippul. Pelo padrão estabelecido pelo Ministério das Cidades, as estações terão uma distância média de 700 metros entre uma e outra.

O projeto ainda prevê a construção de sete viadutos ao longo dos 24 quilômetros dos dois corredores, em pontos que também serão definidos pelo Ippul. Segundo o presidente do Ippul, Robinson Borba, essas obras são necessárias, porque o BRT é baseado no tráfego rápido dos ônibus. "Dessa forma, ele vai exigir soluções para pontos de lentidão como rotatórias e cruzamentos", salientou.

Serão utilizados veículos articulados ou biarticulados. O Ippul deverá coordenar uma pesquisa de origem e destino domiciliar para identificar o público potencial do novo sistema de transporte coletivo. O sistema, inicialmente, como foi divulgado, deve beneficiar 25 mil pessoas - 32% dos usuários dos ônibus urbanos nos próximos cinco anos. Atualmente, cerca de 78 mil pessoas utilizam o transporte coletivo diariamente.

As obras devem começar a ser executadas, após a finalização da pesquisa, daqui a dois anos. A estimativa do Ippul é que o BRT esteja concluído em cinco anos. A liberação do recurso ocorrerá em etapas, mediante a finalização de cada projeto.

A diretora de Trânsito e Sistema Viário do Instituto, Cristiane Dutra esclarece que o estudo permitirá dimensionar o serviço e definir, por exemplo, quantos e quais tipos de veículos (articulados, biarticulados ou convencional) serão necessários nos horários de pico e nos demais ao longo do dia.

O objetivo do Ippul é atrair mais usuários para o transporte público, em especial aqueles que hoje utilizam automóvel. Apesar de achar difícil que o londrinense deixe o carro em casa e utilize mais o transporte público, Vagner Rafael Silvati, proprietário de um estabelecimento comercial na Dez de Dezembro, observa que a visível melhora no transporte público poderá pelo menos incentivar os motoristas a repensarem os hábitos. Isso, consequentemente, reduzirá os congestionamentos. "Aqui, por exemplo, é complicado."

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